Bombeiros. Início da vacinação. Polémica com “sobras” de Moura.


Vacinados hoje 140 bombeiros de 13 corporações. A segunda dose será em maio. Inoculação de operacionais em Moura com “sobras” do Centro de Saúde gera polémica.

Cento e quarenta de um total de 290 operacionais de treze Corpos de Bombeiros do distrito, começaram esta manhã a ser vacinados contra a vovid-19 pelos serviços de saúde do Hospital José Joaquim Fernandes (HJJF), em Beja. As corporações, com exceção das duas do concelho de Odemira, estão englobadas na área de ação da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA). Os outros 150 operacionais serão vacinados no decurso da próxima semana.

O processo fica marcado por uma decisão do Conselho de Administração da ULSBA em retirar do processo de vacinação 28 elementos do total de operacionais que o Corpo de Bombeiros de Moura tinha direito. A questão prende-se com o facto de terem sido vacinados, no passado dia 23 de janeiro, “com sobras” do Centro de Saúde local, tal como o Lidador Notícias (LN) revelou em exclusivo.

No setor de vacinação covid-19 do HJJF estão preparadas três salas, que recebe duas pessoas de cada vez e as vacinas ministradas hoje aos bombeiros são da AstraZeneca e cada frasco permite dez inoculações. Antes do início da inoculação dos bombeiros, uma enfermeira explicou o processo de vacinação, possíveis reações e medidas e medicação a tomar em caso de alguma reação alérgica.

João Godinho (a ser vacinado) e Pedro Ramos, dos Bombeiros Voluntários de Beja foram os dois primeiros operacionais a serem inoculados e depois de receberam a vacina, feito o registo informático, ficaram a saber que a segunda toma só vai ocorrer no próximo dia 6 de maio.

“Sinto-me bem e mais à vontade e protegido para desempenhar as minhas funções. Como bombeiro considero ser tarde, deveríamos ter sido dos primeiros”, disse ao LN, João Godinho, já na sala de recobro.

Indigitado pelo grupo de comandantes e devidamente autorizado pelo CDOS de Beja, Pedro Barahoana, comandante dos Bombeiros Voluntários de Beja (BVB), começou por dizer que a vacinação “é o culminar de um processo iniciado somente a semana passada entre os Corpos de Bombeiros, o CDOS e a administração da ULSBA”, acrescentando que “estamos felizes, mas não satisfeitos”, justificou.

Sem rebuço, Barahoana desfiou um rol de crítica, começando pelo timing da vacinação que “deveria ter começado há dois meses” e pelo facto de “só nos terem dado vacinas para metade dos efetivos”, lamentando que tenham “empurrado para nós a escolha dos nossos homens”, concluiu.

O comandante dos BVB recordou dois pormenores que considerou como muito importantes: “85% do trabalho dos bombeiros está relacionado com a emergência pré-hospitalar e o transporte de doentes e 90% do trabalho do INEM é feiro pelas corporações”, rematou. Pedro Barahoana terminou com uma pergunta: como cumprimos tudo isto com cinquenta por cento do efetivo vacinado ?

Sobre a retirada da lista de 28 elementos dos Bombeiros Voluntários de Moura (BVM), pelo facto de terem sido vacinados com as “sobras” do Centro de Saúde da cidade, Conceição Margalha, presidente da ULSBA, revelou ao LN que a decisão relativamente às vacinas não é da ULSBA. “A instituição recebe as doses e faz a sua administração”, explica. 

Visivelmente agastado, o comandante dos BVM, Carlos Encarnação, justificou “para ter uma avaliação mais correta da situação e do que se passou, vou falar com o comando do CDOS”, rematou.

O LN apurou que da totalidade de frascos, sobravam sete unidades tendo os comandantes dos Corpos de Bombeiros decidido que as mesmas seriam ministradas aos operacionais de Moura.

Teixeira Correia

(jornalista)


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