Ovibeja: Pastores da Serra da Estrela desceram ao Alentejo e fazem tosquia manual.


A Rota dos Pastores e da Transumância é dos atrativos da feira, que também foi recreado pela Associação de Criadores de Ovinos do Sul e pelo Festival Terras sem Sombra, como forma de promoção da Ovibeja.

Carregados com as suas mantas de lã, dezena e meia de pastores de três freguesias do distrito da Guarda, onde a pastorícia dos rebanhos de ovelhas Bordalheira/Serra da Estrela e Jarmelista e da Cabra Serrana, rumaram a Beja e são a grande atração do último dia do certame. Corujeira/Trinta, Fernão Joanes e Videmonte, são pequenas aldeias nas fraldas da Serra da Estrela onde a base da subsistência das populações é o negócio de ovinos, que vai da criação ao pastoreio e à venda.

Dois dos pastores presentes demonstraram como se tosquia uma ovelha com uma tesoura manual. José Caril, 88 anos, lembrou os tempos em que em abril e maio “vinha da Guarda para o Alentejo tosquia os ovinos e depois regressava à terra para fazer a campanha do nosso gado”. Carregados com a mantas de lã ao ombro, José “diz que no Inverno abrigam e no verão servem de assento nas encostas da serra”, acrescentando que quando entramos numa feira

Em plena Ovibeja, Afonso Proença, um dos responsáveis do grupo de pastores contou ao LN que “participamos em eventos na região e outros da mesma, para manter a tradição da pastorícia, porque os pastores são cada vez menos”, justificando que “há sempre um diálogo para comprar e vender”, justificou.

Afonso refere que “para manter os pastores e os rebanhos, há já freguesias que estão a subsidiar os pastores para aumentar a criação de rebanhos e o aparecimento de gente nova no sector”, concluiu.

Manuel Joaquim, um pastor com 60 anos, referiu que “sou pastor desde os 10 anos, comecei com o meu pai e já tenho a ajuda do meu filho. Se vale a pena? Os empregos são assim à moda da porra”, justifica. Fazendo uma comparação entre os ovinos que pastoreia na serra e os do Alentejo, sustenta que “são animais com características e produções muito diferentes”, justificando que como a feita à Ovibeja “são importantes para trocas de conhecimentos”, rematou.

Teixeira Correia

(jornalista)


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