Opinião (Teixeira Correia): O senhor General e os “15 pigmeus”.


Considero pouco decoroso um comandante, seja ele do que for, encontrar ou cruzar-se com os seus comandados e não ter a humildade de os cumprimentar. Assim o senhor General deixa de ser um comandante e passa a ser um mandante.

Por respeito à memória do Carlos Carvalho, o operacional do Corpo de Bombeiros de Cuba, sepultado no passado sábado e à sua família, não escrevi nada sobre um situação que percebi e que não quero e não vou deixar passar em claro.

No artigo publicado no domingo no Lidador Notícias, escrevi em título: “Revolta silenciosa” em Vila Alva no funeral de Carlos Carvalho. No entanto, no seu conteúdo não fiz qualquer menção aquilo que desde cedo me apercebi: o senhor General, comandante Operacional Nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), não cumprimentou os comandantes das quinze corporações do distrito de Beja presentes na cerimónia.

Devidamente ataviado na cinzenta farda Nº.1 e com a sua garbosa boina verde, cumprimentou com a continência militar, primeiro o senhor Ministro da Administração Interna e depois o senhor Presidente da República, tudo dentro do RDM.

Com 30 anos de carreira militar, o senhor comandante da Proteção Civil que é comando, paraquedista e ranger, tudo tropas de elites portuguesas e das melhores do Mundo, sabe melhor do que ninguém que não é “destratando” os seus subordinados que se exerce o comando e a disciplina, É assim que se deixa de ser comandante e se passa a mandante.

Foi percetível o distanciamento, mal-estar e direi mesmo o muito incómodo, patente nos comandantes dos bombeiros do distrito. No velório ficaram debaixo da frondosa árvore junto à casa mortuária, no cortejo seguiram juntos, no cemitério “fizeram questão” de se colocar frente aos porta-estandartes das corporações em sítio que o comandante os visse e após o funeral, despediram-se uns dos outros à porta do cemitério. Foi triste perceber, mas ainda mais triste foi ver.

Mas porquê, perguntará o leitor ?

Porque os comandantes dos Corpos de Bombeiros do Distrito de Beja, fizeram saber à Liga Portuguesa de Bombeiros (LPB) do seu desagrado por não terem sido mobilizados para incêndio no passado dia 6 de julho, no concelho de Silves, mais concretamente em São Marcos da Serra. A Liga exigiu explicações da ANEPC que não foi do agrado do senhor General.

Para combater o incêndio foram mobilizados perto de três centenas de operacionais de vários distritos não tendo sido mobilizado nenhum Corpo de Bombeiros (CB) do Distrito de Beja.

No documento que a LPB enviou a Proteção Civil, fez saber que “não se percebe e muito menos se aceita a falta de cooperação institucional do comandante operacional nacional da ANEPC, não percebendo a opção de não terem sido mobilizados meios do Distrito de Beja, atendendo a que estavam disponíveis”, concluiu.

E como não gostou de ser afrontado o senhor General, não cumprimentou os “15 pigmeus”.

Teixeira Correia

(jornalista)


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