Opinião (Rogério Copeto/ Oficial GNR): CENSOS SÉNIOR


Não é a primeira vez que abordo o tema do trabalho que a GNR desenvolve no apoio aos idosos, nem será seguramente a última, tendo aqui no LN já tido ocasião de abordar esse assunto nos artigos “GNR, a face do estado próxima e visível” e “A GNR no combate ao isolamento e solidão dos idosos”.

Roger Copeto_800x800Rogério Copeto

Tenente-Coronel da GNR, Mestre em Direito e Segurança e Auditor de Segurança Interna

Chefe da Divisão de Ensino/ Comando da Doutrina e Formação

 O primeiro artigo, um dos primeiros publicados aqui no LN, foi motivado pelo artigo de opinião publicado no jornal “Expresso” com o título “Chamem a polícia“, da autoria do deputado do PSD Duarte Marques, que, referindo-se à GNR, dizia o seguinte: “… apoiam a comunidade educativa com os programas Escola Segura e Apoio 65 para os idosos… Eles são a face visível, e tantas vezes única, do Estado na plenitude do território Nacional”.

Foi a afirmação que a GNR está em todo o lado, que me levou a referir na altura, que essa afirmação é verdadeira, não só porque a GNR tem à sua responsabilidade 94% do território nacional, mas também porque a GNR está visível e próxima das populações, especialmente da que está mais vulnerável, garantindo a sua segurança 24 horas por dia, 365 dias por ano, faça chuva ou faça sol, nos dias, horas e condições em que o vulgar cidadão se recolhe no aconchego familiar, particularmente nos locais, mais recônditos do país, onde não existe qualquer outro representante do Estado, para além da GNR.

Exemplo dessa visibilidade e proximidade é o trabalho que a GNR desenvolve durante a “Operação Censos Sénior, que se encontra no terreno no presente mês de abril, tendo a mesma nascido da necessidade de combater o isolamento e a solidão da população idosa, procedendo a GNR desde 2011 ao levantamento dos locais isolados habitados por idosos, sinalizando as situações de maior perigo e realizando ações de sensibilização e informação sobre os procedimentos de segurança a observar em situações de maus-tratos, assalto ou burla, bem como a forma como poderão denunciar os crimes de que são vítimas, disponibilizando para o efeito os números de telemóvel dos militares da GNR, criando-se assim laços de confiança entre a GNR, os idosos e seus familiares.

Mas, o que esteve realmente na origem desta Operação foi o facto de em fevereiro de 2011 ter sido encontrada morta, uma idosa residente em Rinchoa, concelho de Sintra, na sua própria residência, e que alegadamente estaria morta há 9 anos, sem que ninguém tivesse feito nada, durante esse tempo todo, pelo que como consequência dessa mesma ocorrência, a GNR levou para o terreno a 1ª edição da “Operação Censos Sénior” nesse mesmo ano, para que idosos isolados ou sozinhos não fossem encontrados mortos, sem que ninguém lhes prestasse socorro, porque nenhum ser humano deve morrer sem assistência, muito menos um idoso.

Assim, o principal objectivo da “Operação Censos Sénior” é registar todos os idosos que residam sozinhos e/ou isolados, mantendo com os mesmos contactos frequentes e referenciar junto das instituições de apoio à terceira idade, aqueles que se encontrem em situações de maior vulnerabilidade.

Para isso a GNR vale-se da sua implantação em todo o território nacional, desde as zonas urbanas até às zonas mais recônditas do nosso país, com recursos humanos formados e motivados, tendo a edição da “Operação Censos Sénior” do ano passado registado um total de 39.216 idosos, prevendo-se que este ano o número continue a aumentar, tendo conta o aumento constante da população idosa no nosso país, constituindo-se já um dos mais envelhecidos do mundo.

A todos os idosos registados é efectuada uma avaliação do risco, sendo que nas situações em que o idoso revela especial situação de vulnerabilidade, o mesmo é sinalizado às instituições respetivas, tendo sido já as centenas de idosos sinalizados e alguns foram literalmente salvos de uma tragédia iminente.

É também recolhida um conjunto de informação nomeadamente a idade, sexo, estado civil, coordenadas GPS da sua residência, se tem telefone, se tem família, o estado de saúde e nível de autonomia, se recebe apoio, qual a regularidade desse apoio e apoio recebido.

A informação recolhida é confidencial, sendo usada só para os fins a que se destina, que é garantir melhor segurança aos idosos sozinhos ou isolados, para que se sintam protegidos, reforçando dessa forma a sua própria segurança, tornando-se a GNR, por esse facto, na instituição com mais informação sobre a temática do isolamento e solidão dos idosos.

A “Operação Censos Sénior” é um exemplo, para além de outros, que a GNR cumpre a missão a que está obrigada, indo muito para além do que lhe é exigido, e que só o grande humanismo de todos os militares envolvidos faz com que esta operação seja um sucesso ano após ano, sendo também a prova de que a GNR se constitui na face do Estado, que mais próxima e visível está de toda a população residente em Portugal.


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