José António Cardoso: “O Mestre construtor das violas de arame”


Há 8 anos que José Cardoso, se juntou a um pequeno grupo de construtores de violas de arame. O primeiro instrumento que construiu foi uma guitarra clássica, mas, a sua paixão são as violas campaniças.

Nome: José António Cardoso, Idade: 59 anos

Profissão: Construtor de instrumentos musicais

Naturalidade: Ribeira de Pena (Trás-os-Montes), Residência: Trindade/ Beja

“Contruir violas campaniças, uma das chamadas violas de arame, foi a forma como decidi homenagear os alentejanos e deixar um legado a um povo que tão bem recebeu um transmontano”, revelou de voz embargada, José António Cardoso, um dos Mestres da construção de instrumentos regionais.

Em 1985, tendo como destino o Regimento de Infantaria 3, percorreu 600 quilómetros, desde Ribeira de Pena, a terra natal, até Beja, onde acabaria por se radicar, depois de 2012 ter terminado a carreira militar como sargento-mor. “Com 50 anos era um miúdo e decidi não morrer sentado. Com a ajuda do meu filho construí uma guitarra clássica, que levei um ano a fazer, mas, nunca mais parei”, recorda José Cardoso.

E chegados aqui, é na pequena aldeia de Trindade, no concelho de Beja, que juntamente com o seu filho Paulo, que José criou o seu ateliê, denominado Luthier Cardoso. “Luthier porquê ?. É uma palavra francesa que significa: artesão que fabrica ou repara instrumentos de corda com caixa-de-ressonância. É aquilo que eu faço”, justifica.

A paixão pela madeira sempre existiu e recorda os abegões que em Ribeira de Pena faziam os adereços para a lavoura. E madeiras nobres como o carvalho, castanho, nogueira e cerejeira, as mais apropriadas para o fabrico das violas, sempre fizeram parte do seu imaginário e José Cardoso revela um segredo: “só a parte da árvore voltada a nascente, é a única que serve para os instrumentos e para a música”, justifica.

No Luthier Cardoso constroem-se e reparam-se as violas de cordas, campaniças, clássicas, amarantinas, braguesas, cavaquinhos, ukuleles, mas também guitarras portuguesas, de Lisboa e Coimbra. Mas o transmontano tem um sonho: “gostava de construir um rajão madeirense, instrumento que nunca fiz e só um amigo açoriano fabrica”, remata.

José Cardoso já perdeu o conto ao número de instrumentos que fez durante os oito anos de atividade. No que vai de ano, são já oito, sendo que cinco foram violas campaniças e com a pandemia apareceu mais trabalho. “Como os músicos estavam parados apareceu muita gente a fazer a revisão dos seus instrumentos e um bom instrumento ensina muito a quem repara”, justifica.

“Tinha uma cerejeira em Ribeira de Pena que “morreu” para as cerejas, mas ganhou uma nova vida. Com a sua madeira contruído seis violas campaniças e mais algumas guitarras clássicas e acústicas”, conta feliz Mestre Cardoso.

Um músico ou amante de instrumentos de cordas que demanda a aldeia de Trindade sabe ao que vai e o que o espera. “Desde a encomenda até à entrega da viola são cinco meses, incluindo as cinco semanas na sua construção. O custo de uma campaniça ? Dependendo da madeira vai dos 400 aos 750 euros”, revela.

Dos que já demandaram o ateliê, além dos alentejanos José Emídio e Paulo Colaço, dos Adiafa, recorda Marco Vieira, o antigo baixista dos Polo Norte, “não tenho clientes, tenho músicos que querem um instrumento personalizado”, fiz radiante José Cardoso.

Teixeira Correia

(jornalista)


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