Beja: Marido e mulher acusados de ofender técnica da DAV.


O casal espanhol, ligado à pecuária, está acusado de difamação e injúrias a técnica dos Serviços Veterinários. Algemado, o indivíduo tentou agredir um polícia a pontapé.

Um casal espanhol, empresários do sector da pecuária, não aceitaram que uma técnica da Divisão de Alimentação e Veterinária do Baixo Alentejo (DAV), sediada em Beja, tivesse colocado dois bezerros em isolamento e no interior das instalações acusaram a mulher de “ser corrupta”, “mafiosa” e que “devia estar presa”.

O indivíduo ofendeu ainda os agentes da PSP chamados ao local e tentou agredir um deles a pontapé, acabando algemado e conduzido à esquadra onde foi constituído arguido.

Os factos remontam ao dia 24 de agosto de 2018 e foram protagonizados por Angel Bohorquez Carreira, de 69 anos, e a sua mulher Clara Sanchez, de 58 anos, naturais de Jerez de la Frontera (Cadiz), proprietários de uma exploração de bovinos, localizada numa herdade situada na freguesia de Cabeça Gorda, concelho de Beja.

Segundo o despacho de acusação do Ministério Público (MP) de Beja a que o JN teve acesso, naquele dia o casal dirigiu-se à DAV acompanhado da filha e de mais cinco indivíduos, cuja identificação não foi apurada, e procuraram tirar satisfações da técnica, acabando por provocar desacatos e ofensas, que levou a que a PSP tivesse que intervir.

Instado a abandonar as instalações, Angel Bohorquez Carreira recusou-se a obedecer às ordens dos agentes da autoridade e segundo o MP “atirou-se ao chão”, enquanto proferia as expressões: “os polícias são todos corruptos, você vão ser todos presos. Vou gastar um milhão de euros, mas vocês vão para a cadeia. Delinquentes, cabrões, filhos da puta. Eu conheço o Presidente da República”, vociferou.

O arguido acabou por ser algemado, mas, ainda assim tentou atingir um polícia com um pontapé, sendo depois conduzido à esquadra, onde foi constituído arguido, local onde voltou a ofender os agentes da polícia.

Mas as diabrites do casal não se ficaram por aqui, já que em fase de investigação, não foi possível proceder à constituição da mulher como arguida, nem proceder ao interrogatório de marido e mulher por impossibilidade de notificação. Os agentes de autoridade não conseguiram aceder ao interior da propriedade e todas as notificações postais efetuadas acabaram por ser devolvidas.

Por impossibilidade de notificação, o MP não procedeu ao interrogatório na qualidade de arguidos de Angel e Clara a quem acusou da prática de um crime de injúria agravado, sendo que o arguido responde ainda por um crime de difamação agravado. O casal começa a ser julgado na próxima segunda-feira por um Tribunal Coletivo, arriscando uma pena superior a cinco anos de prisão.

Outro caso envolvendo o casal

Angel Bohorquez Carreira foi acusado de um crime de dano qualificado, pelo presumível abate, entre meados de 2008 e janeiro de 2009, de 110 porcos de raça alentejana de um vizinho. Em julgamento, realizado em março de 2015, o individuo negou os factos e mostrou documentos em como não estava em Portugal, tendo Clara Sanchez assumido a autoria do crime, de que não estava acusada. Ambos não foram punidos. Ele por ter sido absolvido e ela porque não podia ser condenada de um crime que não estava acusada.

Teixeira Correia

(jornalista)


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