Volta ao Alentejo: A “Volta do Património” mantém a tradição, um novo vencedor. E vão 34.

A 34ª edição da Volta ao Alentejo Crédito Agrícola, começa esta quarta-feira sob o signo da manutenção da tradição, já que nenhum dos corredores que vão alinhar à partida ganhou a prova, pelo que vai ser conhecido o 34º vencedor, a única prova internacional do Mundo a ostentar este recorde, digno do Guiness Book.

VALENTEJO- Joaq. Gomes_800x800Naquela que foi batizada como a “Volta do Património”, face aos reconhecimentos da Unesco do cante alentejano e da arte chocalheira e a candidatura das Festas do Povo, os chapéus dos trabalhadores e cantadores alentejanos, os chocalhos e as flores de papel de Campo Maior, serão troféus para os vencedores das etapas e da Volta.

Em 2016, na “Alentejana”, celebram-se os 20 anos da passagem a internacional da prova, do triunfo do grande Miguel Indurain (Banesto) e a estreia da sua bicicleta de contrarrelógio, batizada como “Espada”, que se viria a tornar o símbolo da prova. A edição de 1996 ficou marcada por outro fato histórico para mais antiga equipa do ciclismo português, o Tavira. A equipa algarvia chegou ao Alentejo sem patrocinador e saiu da corrida com a sponsorização da Recer, que já tinha o Boavista como parceiro.

Veja e siga aqui todas as incidências da prova: Lista de inscritos, os percursos e os diretos da estrada: www.volta-portugal.comfacebook.com/voltaaportugal e youtube.com/voltaportugal

Esta quarta-feira alinham à partida em Portalegre, 170 corredores, em representação de 22 equipas, 12 portuguesas, 6 da categoria de Elite e 6 de Clube ou Sub23 e 10 estrangeiras, para competirem em cinco etapas em linha, num total de 907,8 kms, com 8 contagens do Prémio da Montanha e 15 Metas Volantes bonificadas, onde a primeira etapa, face à dureza dos últimos 50 quilómetros, pode ser preponderante na decisão daqueles que podem lutar pela vitória na “Alentejana”.

Entre o numeroso pelotão, destaque para dois nomes, por se tratarem de corredores alentejanos: Henrique Casimiro, natural de Almodôvar, da equipa da Efapel e João Letras, de Cuba e corredor da Sicasal/ Constantinos/ UDO. Daniel Mestre, outro almodovarense e colega de Casimiro ficou fora da “Alentejana” depois de uma violenta queda no passado domingo no Algarve.

José Soares, a voz do “rádio-volta” e comentador da Horizonte e da Cadeia de Rádios, refere que “a primeira etapa e rainha da volta vai colocar todas equipas à prova”.

A W52/ FCPorto/ Porto Canal, foi a única equipa que conseguiu romper a hegemonia estrangeiras nas corridas disputadas em Portugal, com o triunfo de Rafael Reis, na Clássica de Amarante, que no Alentejo apresenta ma equipa muito forte, que integrada dois vencedores da Volta a Portugal, Gustavo Veloso e Ricardo Mestre, além de Samuel Caldeira, para as chegadas ao sprint e António Carvalho, na luta pela vitória na volta.

Nuno Ribeiro, diretor-desportivo da equipa azul e branca, considera que “a corrida fica marcada pelo protagonismo das equipas estrangeiras, mas os portugueses querem brilhar”.

Américo Silva, o líder da Efapel, que tinha dois corredores alentejanos na equipa, um para a montanha outro para os sprints, fica reduzida a Henrique Casimiro e sustenta que a queda de Daniel Mestre “altera tudo e tirou um corredor que aspirava a ganhar a corrida”.

Vidal Fitas, Sporting/ Tavira, o último diretor-desportivo português a vencer a corrida, agora com um projeto apoiado por dois baluartes do ciclismo português, vem para o Alentejo “com ambições de ganhar a prova”.

A primeira etapa ligará Portalegre a Castelo de Vida, na distância de 158 kms, marcada por quatro contagens do Prémio da Montanha, todas nos últimos 50 quilómetros da tirada, o que certamente vai fazer com que as equipas com trepadores ataquem a corrida de longe para eliminar alguns dos adversários mais perigosos. A partida da cidade de José Régio vai acontecer às 12h00 e terá três metas volantes bonificadas no Crato, Monforte e Portalegre e à saída desta cidade começam as dificuldades, com a ascensão ao Cabeço do Mouro. Seguem-se Monte Paleiros, Marvão e finalmente a Senhora da Penha, a 9,4 quilómetros da chegada na “Sintra do Alentejo, que deverá acontecer cerca das 16h00.

Tal como como na Volta ao Algarve, na Volta ao Alentejo há 10 anos, quando Sérgio Ribeiro venceu em Beja, em 2006, que um corredor português não conquista a camisola amarela. Dois espanhóis de equipas portuguesas venceram a “Alentejana, em 2008, Hector Guerra da Liberty Seguros e em 2010, David Blanco do Palmeiras Resort/Tavira. Será 2016 o ano de um corredor da Pátria de Luís de Camões a vencer ? Domingo, na Praça do Giraldo, em Évora, revelamos o segredo.

1ª etapa- Portalegre-Castelo de Vide- 158 kms

Partida: 12h00. Passagens por Crato (MV-km 17-12h35), Alter do Chão (12h53), Monforte (MV-km 57,4-13h36), Portalegre (MV-km 99-14,38), Cabeço do Mouro (PM 2ª cat-km 102,2-14h43), Monte Paleiros (PM 3ª cat-km 107,3-14h50), Marvão (Pm 4ª cat-km 118-15h07) e Senhora da Penha (PM 3ª cat-km 138,6-15h37). Chegada: Castelo de Vide- 16h07.

Teixeira Correia

(jornalista)

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