Vidigueira: Um “Vasquinho” de Honra, em busca de um título.

Clube de Futebol Vasco da Gama, Vidigueira, hoje wm destaque no Jornal de Notícias. Suplemento “Ataque” rubrica “Dia do Clube”. O “Vasquinho” em busca do título distrital”.

O grande navegador português Vasco da Gama, une e separa Vidigueira e Sines. Separa pelo local de nascença do descobridor do caminho marítimo para a Índia e une pelo nome dos clubes. Ambos homenageiam o navegador e chamam-se Vasco da Gama. Na Vidigueira tal como o famoso vinho licoroso da Adega Cooperativa, o clube é conhecido pelo “Vasquinho”.

Apesar da data de fundação ter acontecido em 1945, o livro “História do Desporto no Distrito de Beja” de Manuel de Melo Garrido, revela que o Clube de Futebol Vasco da Gama foi criado em junho de 1933, tendo em José António Guerreiro Pinto, o seu principal entusiasta e um dos fundadores. Foi este benemérito que ofereceu os 19.000 m2 de terreno onde foram edificados o pavilhão e o campo de jogos e que até 2009, teve o seu nome.

A necessidade de um relvado sintético e uma bancada, cujo custo orçavam em um milhão de euros, e para que as obras pudessem ter apoio comunitário, levou o clube a “fazer negócio” com a Câmara Municipal. O velhinho campo foi cedido à autarquia por um euro, pelo período de 20 anos. A obra nasceu, o campo passou a chamar-se Municipal e à rua onde fica situado, foi batizada com o nome de José A.G. Pinto.

No início da temporada de 2012/ 2013 e por desistência de clubes do Nacional e do Distrital o Vasco da Gama chega à 3ª Divisão Nacional. Apesar de ter disputado a fase de subida à 2ª Divisão, no final da temporada com o desaparecimento do terceiro escalão o clube regressa às origens.

Coordenador Técnico do Setor de Desporto da Câmara de Vidigueira, António Galvão, é presidente da direção do Vasco da Gama há década e meia e a sorrir atira: “estou à espera do tão desejado título para ir descansar”, faltando um empate e uma vitória para ser conseguido. Sendo o único clube com futebol no concelho “transportamos connosco um nome e uma ambição”, lembrando António Galvão a “ginástica financeira”, que sem o apoio da autarquia “era impossível conseguir”, remata.

Pelo “Vasquinho” têm passado técnicos de nomeada, desde Pedro Caixinha, ao seu antigo adjunto Arlindo Morais e ao atual comentador televisivo Acácio Santos. Hugo Relíquias, é o treinador há duas temporadas e afirma-se “orgulhoso por ter sido escolhido e fazer parte da história do clube”, deixando escapar que “não fora o grande esforço contra o Vitória de Guimarães no jogo da Taça e já erámos campeões”, remata.

Mas no “Vasquinho” as atenções dos seus dirigentes não estão só focadas no futebol sénior, a formação merece particular atenção. Este ano o clube promoveu o “VIDIFOOT-Kisd Camp” onde recebeu 70 miúdos dos 7 aos 12 anos num campo de férias. A segunda fase, que vai decorrer em junho, será um torneio de futebol que terá como padrinho Acácio Santos.

Terra de excelentes vinhos, em Vidigueira todos aguardam ansiosos para celebrar o título com um branco Antão Vaz, da casta com o mesmo nome, oriunda do concelho.

a figura

Tem 25 anos, nasceu em Faro do Alentejo (Cuba), é militar no mítico Regimento de Lanceiros 2, sedeado na Amadora, e é o “goleador de serviço” da equipa. Frente ao Vitória de Guimarães, na Taça de Portugal, marcou o golo do Vasco e deixou excelente impressão a Pedro Martins.

“Este ano marquei um golo ao Praia de Milfontes que foi dos melhores da minha carreira”, atira feliz. Não sendo um possante avançado, Pázinho, é veloz, dono de um forte drible e um potente remate. “Só à sexta-feira tenho contato com a bola e os meus colegas. Durante a semana no Regimento trato da forte física”, justifica o avançado.

Com passagens pelo Cuba, Despertar (Beja) Castrense e Aljustrelense, Pázinho sustenta que “este é o clube mais marcante da minha carreira, por quem gostava de ser campeão”, remata.

“Passe curto e passe longo”

Bilhete de Identidade

Passe curto

Fundação: 01/10/1945

Local de jogos: Estádio Municipal de Vidigueira

Sócios: 200

Equipamento: Camisola branca com faixa transversal verde e preta, calção preto e meia verde. O alternativo é camisola verde com faixa transversal branca e preta, calção verde e meia preta.

Palmarés: Nos 72 anos de existência o “Vasquinho” nunca se sagrou Campeão Distrital da 1ª Divisão. Campeão Distrital da 2ª Divisão da A.F, Beja (1981/82, 1985/86 e 1996/97), Vencedor da Taça A.F.Beja-Seniores (2005/06), Campeão Distrital da A.F.Beja-Infantis e Benjamis (2001/02) e Campeão Distrital da A.F.Beja-Iniciados (1988/89).

Outras modalidades: O clube só tem futebol, nos escalões de Seniores, Juvenis, Benjamins, Petizes e Traquinas.

Passe longo

Em 2004 o Vasco da Gama ascendeu à Divisão de Elite do andebol português e escreveu uma das mais bonitas histórias da modalidade na região, ombreando com Benfica e Sporting. “Eramos a equipa do Alentejo”, recorda António Galvão, que na altura já era o presidente do clube e acumulava com a função de treinador. Os relatos da época falam de um orçamento de 125 mil euros.

O bielorrusso Viktor Kovalenko foi a grande figura dos alentejanos que depois se transferiu para o FCPorto.

Plantel

Guarda-redes: Zé Luís e Carlos Rato.

Defesas: João Paulo Agatão, Diogo Rosa, Marco Cavaco, Luís Tasquinha, Vítor Rolim, Luís Neves, José Maria Navas e Ruben Borracha.

Médios: Bernardo Godinho, João Valente, Gonçalo Perfeito, Gonzalo Gorigoitia, Manuel Troncão, Luís Soudo e Baixinho.

Avançados: Pázinho, Zé Manuel e Pedro Calhau.

Equipa técnica: Hugo Relíquias (treinador), Adriano Grilo e Emanuel Pestana (treinadores-adjuntos).

Teixeira Correia

(jornalista)

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