Viana do Alentejo: 23 anos de prisão por matar a mulher com 17 facadas.

Joaquim Ganso, de 54 anos, o indivíduo que matou a mulher com 17 facadas, três das quais perfuraram os pulmões e o coração e foram a causa direta da sua morte, foi condenado a uma pena única de 23 anos.

O arguido ouviu a presidente do Coletivo de Juízes do Tribunal de Évora, aplicar-lhe a pena de 22 anos de prisão pelo crime de homicídio qualificado e 2 anos e 6 meses pelo crime de violência doméstica, pela morte de Maria Silvéria, de 52 anos, a mãe dos seus três filhos.

Joaquim Ganso foi ainda condenado ao pagamentos de indemnizações à família da vítima no valor de 190.000 euros.

Os factos remontam a 6 de maio de 2017, quando o homicida munido de uma faca com uma folha com cerca de 20 centímetros, deixou a Herdade do Monte Velho, nas imediações de Alcáçovas, e foi à vila com o objetivo de matar a mulher.

O homem, pastor de profissão, não aceitava o divórcio da mulher com quem casara há 35 anos e com quem tinha três filhos maiores, que dois meses antes saíra de casa e ido viver com um deles, face às constantes agressões, físicas e verbais, do marido.

O crime ocorreu quando Maria tomava café com a mãe e duas primas, na esplanada do Jardim, quando foi surpreendida por Joaquim que a agarrou e imobilizou com um braço à volta do pescoço e desferiu-lhe 17 facadas na face, pescoço, braços e tórax.

Por diversas vezes, Joaquim agrediu a mulher na presença dos filhos. Numa das ocasiões, como consta da acusação, “pegou num pau, que utilizava como cajado e desferiu várias pancadas no corpo de Maria. Por recear pela vida Maria levou os filhos e pernoitou no campo, debaixo de uma árvore”.

Enquanto a defesa do arguido anunciava aos jornalistas que “iria recorrer da pena”, a advogada da família da vítima, Filomena Pinela, entregou um comunicado onde se podia ler que Maria Silvéria foi uma mulher “de extraordinária força e coragem, que decidiu viver em liberdade e chegou a ser feliz, rodeada dos filhos e dos netos”, acrescentando que “quando pode escolher, escolheu a liberdade”, concluiu.

No documento e numa mensagem dirigida ao Presidente da República que foi seu professor de Direito na Universidade Católica, a advogada sustenta que “se existisse em Portugal a Ordem da Liberdade Individual a Maria Silvéria merecia que lhe fosse atribuída a título póstumo”, rematou.

Joaquim Ganso vai continuar em prisão preventiva a aguardar o trânsito em julgado do acórdão.

Teixeira Correia

(jornalista)

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