Opinião (Rogério Copeto/ Oficial GNR): MAIS CENSOS SÉNIOR.

A Operação “Censos Sénior” da GNR realiza-se pela oitava vez este ano e decorre durante todo o mês de outubro, com a missão de combater a solidão e o isolamento nos idosos e prevenir situações de perigo, por motivo da sua maior vulnerabilidade.

Rogério Copeto

Tenente-Coronel da GNR

Mestre em Direito e Segurança e Auditor de Segurança Interna

Chefe da Divisão de Ensino/ Comando de Doutrina e Formação

Infelizmente este ano a Operação “Censos Sénior” realiza-se dias após termos tido conhecimento através da comunicação social que a Policia Judiciária (PJ) realizou a “Operação Sénior” da qual resultou a detenção de quatro indivíduos “por presumível prática de crimes de roubo, sequestro e homicídio, ocorridos desde fevereiro nos concelhos de Leiria, Marinha Grande, Pombal, Figueira da Foz e Coimbra”, conforme conta o DN no artigo com o título “PJ deteve suspeitos de grupo criminoso violento que atuava na região Centro”, de 12 de setembro.

Ainda de acordo com o artigo do Público, também de 12 de setembro, com o título “Perto de 30 idosos amarrados e agredidos em roubos na zona centro”, este grupo criminoso é suspeito de 19 assaltos a residências de idosos e “de ter agredido violentamente uma mulher de 85 anos durante um assalto, na sua própria casa, numa aldeia próximo de Pombal, que veio a falecer devido aos ferimentos provocados”.

O modus operandi do grupo consistia em identificar residências isoladas e habitadas por idosos, onde entravam encapuzados, de noite e por meio de arrombamento de portas ou janelas, agredindo os idosos com recurso a armas brancas e bastões, com extrema violência, depois de amarrados.

Não assistíamos a semelhantes níveis de violência perpetrada contra idosos isolados, desde finais de 2009, altura em que entre novembro e dezembro, uma onda de assaltos a residências de luxo e habitadas por idosos estrangeiros, assolou a Serra Algarvia, no concelho de Loulé.

Como resposta ao aumento do sentimento de insegurança, que se registou na comunidade estrangeira a viver no concelho de Loulé, foi implementada no inicio de 2010, a Operação “Residência Segura”, que após ter sido considerada pelo Comando da GNR como “Boa Prática”, sido escolhida para representar Portugal no “Prémio Europeu de Prevenção da Criminalidade”, da Rede Europeia de Prevenção da Criminalidade desse ano, que teve como tema, “Por uma Casa Segura, numa Comunidade mais Segura, através da Prevenção, do Policiamento e da Reinserção”, e sido alargada a todo o território nacional, sendo realizada juntamente com a Operação “Censos Sénior”, que agora decorre.

Como nota de rodapé fica a informação que dos quatro indivíduos detidos pela PJ na “Operação Sénior”, só um ficou em prisão preventiva, conforme deu conta o Portal “Pais ao Minuto”, no artigo de 14 de setembro, com o título “Gangue que roubava e torturava idosos fica em liberdade. Só um está preso”.

Se já sabemos como nasceu a Operação “Residência Segura”, a Operação “Censos Sénior” nasceu da necessidade de contribuir para que nenhum idoso a residir isolado ou sozinho fosse encontrado morto, sem que ninguém lhes prestasse socorro, de modo a não se repetir a ocorrência referente a uma idosa residente na Rinchoa, concelho de Sintra, que foi encontrada morta na sua residência em fevereiro de 2011 e que alegadamente estaria morta há 9 anos, sem que ninguém tivesse feito nada, durante esse tempo todo.

Assim, o principal objectivo da Operação “Censos Sénior” é registar todos os idosos que residam sozinhos e/ou isolados, mantendo com os mesmos contactos frequentes e referenciar junto das instituições de apoio à terceira idade, aqueles que se encontrem em situações de maior vulnerabilidade, valendo-se a GNR da sua implantação em todo o território nacional, desde as zonas urbanas até às zonas mais recônditas do nosso país, com recursos humanos formados e motivados.

A todos os idosos registados é efectuada uma avaliação do risco, sendo que nas situações em que o idoso revela especial situação de vulnerabilidade, o mesmo é sinalizado às instituições respetivas, tendo sido já as centenas de idosos sinalizados e alguns foram literalmente salvos de uma tragédia iminente.

É também recolhida um conjunto de informação nomeadamente a idade, sexo, estado civil, coordenadas GPS da sua residência, se tem telefone, se tem família, o estado de saúde e nível de autonomia, se recebe apoio, qual a regularidade desse apoio e apoio recebido.

A informação recolhida é fornecida pelos idosos voluntariamente, é confidencial, sendo usada só para os fins a que se destina, cumprindo assim a mais recente legislação de protecção de dados pessoais, garantindo melhor segurança aos idosos sozinhos e/ou isolados, para que se sintam protegidos, reforçando dessa forma a sua própria segurança.

Na posse desta informação, a GNR torna-se na instituição com mais informação sobre a temática do isolamento e solidão dos idosos, sendo por isso com frequência solicitada a dar conta do trabalho que realiza com os idosos no âmbito da Operação “Censos Sénior”, em diversos fóruns, onde a temática é a proteção de idosos.

Apesar da GNR desenvolver esta actividade, no âmbito desta problemática, esta constitui-se como entidade de 1ª linha, articulando-se com as instituições de resposta, não se substituindo a estas, conseguindo por isso uma enorme visibilidade e consequente reconhecimento, junto das entidades que trabalham com idosos, tendo por isso a Operação “Censos Sénior” sido reconhecida como uma Boa Prática Nacional no estudo encomendado pelo Conselho Económico e Social (CES) denominado “O Envelhecimento da População: Dependência, Ativação e Qualidade” e da autoria do Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa, da Faculdade de Ciências Humanas, da Universidade Católica Portuguesa e apresentado publicamente no Seminário O Envelhecimento da População”, realizado no dia 26 de junho de 2013.

A Operação “Censos Sénior” também suscitou grande interesse, ao nível governamental, onde se incluem os Ministérios da Solidariedade e Segurança Social e da Administração Interna, que levou a que ambos os ministérios assinassem um protocolo em 1 de fevereiro de 2013 com o objetivo de prevenção do risco, inerente ao isolamento e solidão, aumento da qualidade de vida dos idosos e do sentimento de segurança dos mesmos”.

Também o Ministério da Saúde mostrou interesse no trabalho desenvolvido pela GNR no âmbito da 1ª edição da Operação “Censos Sénior”, tendo por isso o Instituto Nacional de Saúde – Dr. Ricardo Jorge protocolado com a GNR, a parceira no estudo “Envelhecimento e Violência” e apresentado publicamente na Fundação Calouste Gulbenkian no dia 25 de fevereiro de 2014.

Os órgãos de comunicação social locais e nacionais também ao longo destes oito anos realizaram várias reportagens e sem ter intenção de deixar de fora nenhum artigo, temos de destacar o que foi realizado pela jornalista Rosa Ramos e publicado no Jornal I no dia 15 de fevereiro de 2014, com o título “Quando a solidão termina com uma chamada da GNR” onde em seis páginas retrata qual é a atividade dos militares da GNR no âmbito da Operação “Censos Sénior”.

Conclui-se assim que a GNR realiza um papel preponderante na proteção dos idosos mais vulneráveis, constituindo-se a Operação “Censos Sénior” como prova bastante de que a GNR cumpre a missão a que está obrigada, indo muito para além do que lhe é exigido, e que só o grande humanismo de todos os militares envolvidos faz com que esta operação seja um sucesso ano após ano, sendo também a confirmação de que a GNR se constitui na face do Estado, que mais próxima e visível está da população mais idosa.

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