Opinião (Rogério Copeto/ Oficial da GNR): INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL.

Amanhã, dia 17 de maio, assinala-se o “Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade da Informação”, cujo objetivo é contribuir para aumentar a consciencialização sobre as possibilidades do uso da Internet e de outras Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) para a sociedade e a economia, bem como diminuir o fosso digital entre os povos.

Rogério Copeto

Tenente-Coronel da GNR

Mestre em Direito e Segurança e Auditor de Segurança Interna

Chefe da Divisão de Ensino/ Comando de Doutrina e Formação

Sobre a Internet, já aqui tive a oportunidade de abordar o assunto por diversas vezes, por considerar ser importante alertar toda uma população mais nova, que cedo começam a navegar na Internet, expondo-se demasiado aos seus perigos, sem noção das eventuais consequências do seu incorrecto uso, com a agravante dos adultos não possuírem ainda os conhecimentos necessários, para uma correta supervisão das crianças e adolescentes.

Por isso no âmbito da cibercriminalidade, já aqui abordamos vários temas, tais como os “Predadores Online” e a “Ciberbullying e as redes sociais”, tendo como principal objetivo alertar os adultos para a necessidade de promoverem uma correta educação para a segurança na Internet, devendo estabelecer regras, acompanhar as crianças e os jovens, estar atento aos sinais e comunicar às autoridades sempre que os factos possam tipificar um tipo de crime, que têm como consequências traumas físicos e psíquicos, que tarde ou nunca serão ultrapassados e que só a prevenção pode evitar.

Mas o tema do presente artigo não será sobre a Internet, mas sim sobre a Inteligência Artificial (IA), (tema que já abordado aqui no LN na TECNOCRÓNICA de 17 de novembro de 2016), porque a agência especializada das Nações Unidas para as TIC, denominada ITU dedicou o “Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade da Informação” deste ano, ao tema “Enabling the positive use of Artificial Intelligence for All”.

É do conhecimento geral, que nos últimos anos tem havido um progresso significativo na tecnologia da IA, possibilitada por enormes avanços, nomeadamente nas áreas da Big Data, Machine Learning, Computing Power, Storage Capacity e Cloud Computing.

Possivelmente estas novas tecnologias baseadas na IA que estão a surgir, são desconhecidas da maioria das pessoas, assim como são desconhecidas para mim, mas constituem-se como chave de ferramentas e aplicações, usadas ​​para ajudar as populações a terem uma melhor qualidade de vida, contribuindo para a melhoria dos serviços de saúde, na educação, nos transporte e numa ampla gama de outros serviços públicos e privados.

Conforme referido e apesar dos estrangeirismos atrás referidos nada nos dizerem, todos já ouvimos falar da SIRI da Aple, ou da robô Sophia, que entra em nossas casas diariamente, por motivo da publicidade a uma operadora de telecomunicações, ou em veículos autónomos, ou na infinidade de aplicações que possuímos nos nossos smartphones e que usam os famigerados algoritmos, que recolhem informação sobre nós, conhecendo os nosso hábitos, o que comemos e bebemos, e onde, os nossos gostos e interesses, cujas tecnologias já conhecemos melhor e por isso, percebemos que algo está a acontecer na área da IA.

Mas tal como em tudo na vida não são só benefícios, existindo também alguns riscos na utilização destas aplicações que usufruímos, porque abdicamos de parte da nossa privacidade e dos dados que nos identificam, tendo como consequência a utilização desses dados em benefício de interesses nem sempre claros e transparentes.

Um exemplo da utilização menos clara desses dados, denominados de Big Data (informação sobre o que fazemos, online e offline, como compras que fazemos com nossos cartões, buscas no Google, lugares onde vamos, gostos nas redes sociais, especialmente no Facebook, etc), terá sido responsável pela eleição do Presidente dos EUA, Donald Trump e na saída do Reino Unida da União Europeia, o chamado Brexit.

Estas consequências do uso na IA são do conhecimento geral, porque foi feita a denúncia de que a empresa Cambridge Analytica, roubou os dados de 50 milhões de eleitores norte-americanos no Facebook, tendo por isso Mark Zuckerberg alterado toda a política de privacidade do Facebook e sido chamado perante os congressistas norte-americanos, para explicar como tal foi possível.

Mas outros riscos existem, e não são ficção científica, porque hoje já nos encontramos a desenvolver armamento autónomo e a automação do trabalho é cada vez maior, substituindo pessoas por máquinas cada vez mais inteligentes.

Pelo exposto verifica-se que a IA está a ter um impacto cada vez maior na vida das pessoas, sendo que o poder e potencial da IA estão a ser explorados e desenvolvidos, a uma velocidade sem precedentes, trazendo muitas oportunidades que mudarão a nossa economia e a nossa sociedade, mas também desafios, incluindo do ponto de vista da segurança.

Assim, do ponto de vista da segurança, o futuro apresenta não apenas oportunidades na implementação de tecnologia de IA, mas também a necessidade da existência de medidas de controlo das aplicações futuras, de modo a que os programas informáticos se comportarão de acordo com a sua programação, não ultrapassando os seus limites, devendo ainda serem resistentes a ataques informáticos.

Para além disso existem as questões éticas e legais, que deverão ser consideradas, como por exemplo a identificação de quem assume a responsabilidade pelas ações de uma máquina autónoma ou inteligente, sendo que no caso dos veículos sem condutor, quem assume a responsabilidade dos acidentes rodoviários que já foram provocados por este tipo de veículos?

Terminamos, concluindo que não restam dúvidas que a IA já se encontra um pouco em tudo o que fazemos, no entanto não é claro quem controla quem, e esse é o maior perigo.

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