Opinião (Francisco Santos/ Presidente C.M.B. 05-09): Aeroporto de Beja- Fénix ou Elefante Branco?

Aeroporto de Beja (AB): Fénix ou Elefante Branco ? Este é o momento para se avançar e propor o AB como alternativa complementar ao Aeroporto Humberto Delgado.

Francisco Santos

Presidente da Câmara Municipal de Beja 2005 a 2009

Quando iniciei o mandato de Presidente da Câmara Municipal de Beja, em Outubro de 2005, a esperança para o Baixo Alentejo ancorava no desenvolvimento completo do projecto do Alqueva (como reserva hídrica, para regadio, para produção de electricidade e para o Turismo), do aproveitamento das potencialidades do Porto de Sines e a construção e funcionamento do Aeroporto de Beja (AB), a ligação da cidade a Lisboa por auto estrada e a electrificação do Caminho de Ferro.

O projecto de Alqueva apesar dos atrasos está quase realizado. O Porto de Sines mantém os estrangulamentos conhecidos no transito de mercadorias para a Europa e o Aeroporto de Beja, concluído ainda no meu mandato, em 2008, simplesmente não funciona.  A auto estrada de ligação à A2, doze anos depois ainda está longe de concluída e a estação da CP está fechada.

Mas estas notas têm como objectivo analisar a saga do Aeroporto de Beja.

No inicio de Maio de 2007, o então vice presidente executivo da TAP, engº Jorge Sobral em entrevista ao Expresso garantia que a manutenção da TAP viria para Beja, aguardando apenas a formalização pelo Conselho de Administração em reunião a realizar em Setembro desse ano.

No Verão de 2007, salvo erro em Julho, o Engº Carlos Alves da Manutenção da TAP tem comigo um encontro na CMB para saber pormenores acerca da instalação provável de 400 operários e suas famílias em Beja e do tempo necessário para a construção de apartamentos para tal fim.

Da reunião da Direção da TAP realizada em Outubro de 2007 saiu a decisão da compra da Manutenção da Varig no Brasil e a não vinda para Beja. Foi das decisões mais desastrosas da história da TAP, com prejuízos de centenas de milhões de euros e o adiamento de uma solução para o Aeroporto de Beja.

Posteriormente a AgustaWestland também nos contactou para construir um centro de treino de pilotos e manutenção de helicópteros, mas tal foi impedido pelo 1º ministro de então alegando haver um compromisso com as OGMA de Alverca, o que não correspondia à verdade.

Poderia acrescentar outras tentativas que foram feitas na altura e que saíram goradas por boicote ou do Governo ou mesmo de agentes regionais, mas o texto já vai longo. O que é verdade é que o Aeroporto de Beja não está aproveitado e ninguém faz algo para modificar a situação.

Este é o momento para se avançar e propor o AB como alternativa complementar ao Aeroporto Humberto Delgado.

A distância a Lisboa por ferrovia são 135 Kms o que equivale a uma viagem de cerca de 40 mns num alfa pendular (concluida a electrificação entre Casa Branca e Beja) e 175 Kms por auto estrada (cerca de 2 horas em autocarro). Há vários ex. na Europa de aeroportos secundários a dezenas de Kms das cidades, ex Beauvais – Tille a 90 Kms de Paris e sem ligação ferroviária; Girona a 80 Kms de Barcelona e também sem comboio, etc.

O investimento a realizar é muito menor do que na Base Aérea do Montijo, os aviões podem começar a pousar a partir da decisão, não há questões ambientais, nomeadamente de ruído.

E acima de tudo: nós merecemos, porra!

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