Moura: Diretores de clube de caçadores justificam “erros” com escrita de “mercearia”.

Oito homens e uma mulher com idades entre os 34 e os 62 anos, todos naturais e residentes em Moura, sentaram-se ontem pela primeira vez no banco dos réus, estando seis arguidos acusados dos crimes de abuso de confiança e três do crime de recetação, por atos praticados na secção de caça do Clube Mourense de Amadores de Pesca e Caça Desportiva.

“Escrita de mercearia, despesas registadas em papeluchos, depósitos nas contas por trabalhos no clube”, foram algumas das justificações prestadas aos juízes, por três dos nove arguidos do processo dos membros que coordenavam e dirigiam a secção de caça do Clube Mourense de Amadores de Pesca e Caça Desportiva, que ontem teve início no Tribunal de Beja.

Nos autos investigados pelo Departamento de Investigação e Ação de Penal (DCIAP) de Évora, são imputados aos arguidos o desvio de avultadas verbas das contas do clube e depositadas em contas bancárias próprias e de terceiros, no período que mediou entre 2006 e 2010.

O DCIAP apurou que a instituição teve despesas superiores a 321 mil euros, mas desse valor, mais de 147 mil euros não têm suporte documental, dinheiro que os investigadores acreditam ter sido “incorporado na sua esfera patrimonial”.

O coordenador da secção, Francisco Fialho justificou à juíza que “era uma escrita de mercearia”, o que levou a magistrada Ana Batista a dizer em tom irónico que “era uma mercearia muito grande”.

António Pato, vogal, questionado sobre verbas depositadas nas suas contas, assegurou que se tratavam de “gratificações pelos trabalhos feitos para o clube na zona d caça, justificando que um depósito de 5.800 euros, era “dinheiro de um amigo para comprar um terreno”.

Face à atitude respostas agressivas interrupções à juíza, levou esta a dizer-lhe que: “responde com uma postura arrogante e está no tribunal como se tivesse mais que fazer”, lembrando-lhe que estava ali como arguido.

Os três arguidos ouvidos negaram a utilização do dinheiro do clube em proveito próprio, tendo o tesoureiro, Francisco Barreiros surpreendido o Coletivo quando disse que “deixámos de vender caçadas quando o processo começou a ser investigado pela PJ”, concluiu.

Teixeira Correia

(jornalista)

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