Mértola: Henrique Baiôa-O Homem dos sete ofícios. “Baiôa, One Man Show”.

Só não foi futebolista como o seu pai, Zé Baiôa (Cardona), de resto tem experimentado todas as vivências profissionais e culturais. Para ele “a vida é a alegria e a tristeza”.

Nome: Henrique Baiôa, Idade: 50 anos

Profissão: Agente funerário, produtor de eventos e músico, Naturalidade e Residência: Mértola

Nasceu na Favela, um recanto da chamada “Vila Velha” junto à muralha de Mértola e, desde os 10/11 anos que “comecei a organizar as festas da rua. Festa que era festa metia procissão. Tudo feitos por miúdos”, recorda Henrique Baiôa como foram os primórdios de uma vida cheia de vivências.

É agente funerário, promove eventos musicais e monta o respetivo som, é músico e o acórdão é uma das paixões, mas a sua motorizada Zundapp, serve de escape para os passeios. Pelo caminho em Mértola, fica o ensino como professor de música, locutor da rádio local, a Junta de Freguesia onde foi secretário e a presidência da direção dos bombeiros durante cinco anos. Como se fosse pouco, nos últimos 12 anos já sobreviveu a quatro enfartes, o último dos quais em setembro de 2019. Tal como o pai, e pela sua vida multifacetada, já foi batizado como “Baiôa, One Man Show”. A única coisa que não fez tal como o progenitor “foi jogar futebol”, atira a rir.

Aos 13 anos já fazia parte dos grupos coral e de teatro da vila e mexia nos amplificadores de válvulas para fazer som. Dois anos depois e quando o 25 de abril festejava o décimo aniversário, enquanto aluno da Escola Secundária “fundei a Associação de Estudantes e uma rádio escolar. Foram ideias mais lúdicas que políticas”, recordando que ao final do dia ia a Beja, dormia na casa de um tio para no outro dia de manhã “regressar com filmes em cassetes VHS para passar na escola”, justifica. Henrique Baiôa é perentório: “qualquer coisa que acontecia na vila eu estava lá”, mas lembra também a sua veia de grupo porque “não consigo estar sozinho. Tenho que estar rodeado de gente, amigos ou não”, revela.

Na sua passagem pela escola conhece o homem que mais o marcou na vida, o Padre Alves. “Foi quem que me mostrou os primeiros instrumentos, entre eles o órgão da igreja e me ensinou música”, lembra. Frequentou o Conservatório de Faro, deu aulas de música na Escola Preparatória de Mértola e em vários estabelecimentos de concelhos vizinhos. É quando anda nesta roda-viva que o pai cria uma agência funerária e, de ajudante, anos mais tarde passa a proprietário. “Ninguém sonha ter esta profissão, mas faço-o com muito brio e profissionalismo”, justifica.

Com mais três amigos cria o grupo musical “Jota 4”. A falta de som para as atuações leva-o a comprar umas colunas e outro material e funda a HB-Produções. Entre outros grupos de música popular portuguesa, a presença mais assídua é com “Os Malteses”, uma formação com sede no vizinho concelho de Almodôvar.

“Não há mistura nas funções. Funerário de um lado e músico do outro. A população percebe. Enterrar os mortos e dar música aos vivos”, argumenta.

Para Henrique Baiôa “a vida é a alegria e a tristeza”, que documenta com um história entre a música e os funerais. “Estava a tocar num casamento e chegou a notícia do falecimento do avô do noivo. A boda terminou e levantámos o material. Chegado a Mértola agarrei no carro funerário e fui ao hospital buscar o corpo do falecido”, remata.

Teixeira Correia

(jornalista)

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