Mértola: Arqueólogo Cláudio Torres recebeu a Medalha de Mérito Cultural.

“Uma ministra da Cultura em Mértola … caraças”. Foi com esta expressão, bem à alentejana, que Cláudio Torres recebeu Graça Fonseca, à porta do Campo Arqueólogo, quando a ministra da Cultura chegou à “Vila Museu”.

Foi uma dupla celebração aquela que ocorreu na manhã deste sábado na Sala José Mattoso, no Campo Arqueológico de Mértola, com o arqueológo Cláudio Torres a receber das mãos da Ministra da Cultura, a Medalha de Mérito Cultural no dia em que cumpre 81 anos.
Além da ministra estiveram presentes na cerimónia a Secretária de Estado Adjunta e do Património Cultural, Ângela Ferreira, a Vereadora da Câmara Municipal de Mértola, Rosinda Pimenta, e a Diretora Regional de Cultura do Alentejo, Ana Paula Amendoeira.
Graça Fonseca justificou que a atribuição da medalha é a celebração “de quem dedicou toda uma vida a uma causa que tem como fito o património cultural de una região e de um país” concluiu. A ministra acrescentou que a arqueologia “conta una história que os livros não mostram e não contam”concluiu.
Por seu turno o homenageado afirmou que ,”oxalá que isto (a condecoração) tenha continuidade porque se trata de uma região que é um exemplo da desertificação e fora dia circuitos do Poder”, recordando que Mértola com pouco mais de mil habitantes “tem uma dezena de museus e atrai multidões que por vezes não têm onde gastar e ficar mais tempo”, e num olhar para a sala, visivelmente emocionado rematou com um simples agradecimento de que “há aqui uma série de malta amiga”, disse.
Entre os presentes destaque para a presença de Carreira Marques, antigo presidente da Câmara de Beja, Paulo Neto, e Santiago Macias, que já lideraram os Municípios de Mértola e Moura e Rui Raposo, autarca de Vidigueira.

Quem é Cláudio Torres

Natural de Tondela, distrito de Viseu, nasceu em 11 de janeiro de 939, completou ontem (sábado) 81 anos, tendo chegado a Mértola em 1978, a convite de Serrão Martins, o primeiro presidem te da Câmara eleito em democracia. Ainda nesse ano, fundou na “Vila Museu” o Campo Arqueológico de Mértola, para onde se mudou em definitivo em 1986, depois de deixar a Faculdade de Letras.

Cláudio Torres já recebeu diversas distinções, destacando-se a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, concedida pelo Presidente da República (1993), Prémio Pessoa (1991), doutoramento ‘honoris causa’ pela Universidade de Évora (2001) e Prémio das Academias Pontifícias do Vaticano concedido pelo Papa Francisco ao Campo Arqueológico de Mértola (2015).

Desde 2006, é membro do Conselho Consultivo na área do Património Cultural do Ministério da Cultura.

Teixeira Correia

(jornalista)

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