GNR: Em 2015 foram agredidos 45 militares. Um perdeu a vida.

Muitas das agressões de que os militares da GNR são vítimas acabam por não ser participadas. O caso mais recente remonta ao início da semana. Na madrugada de segunda-feira três militares foram agredidos por uma família em Famalicão.

GNR_800x800Tudo começou quando um dos filhos não obedeceu à ordem de paragem dada pela patrulha da GNR. O jovem, que circulava num motociclo, fugiu em direção a casa, em Delães, tendo sido perseguido pelos militares.

Mas quando estes chegaram à residência do fugitivo – que tinha saído da prisão no sábado depois de ter cumprido pena por furtos e agressões – foram agredidos à paulada pelo suspeito, por dois irmãos deste e ainda pelo pai do mesmo.

Um militar precisou de ser suturado na cabeça com sete pontos e outro ficou com um dedo partido. Presentes a tribunal, um dos arguidos ficou sujeito a apresentações bissemanais e os outros três terão de se apresentar no posto policial da área de residência uma vez por semana.

Mas esta não é uma situação inédita. Só no ano passado foram agredidos, durante o exercício das suas funções, 45 militares, segundo dados do Comando Geral da GNR cedidos ao Notícias ao Minuto.

Um militar chegou mesmo a ser morto quando, no verão, acorria a uma situação de homicídio na Quinta do Conde, em Sesimbra.

“Cada vez há mais casos de militares agredidos”, disse ao Notícias ao Minuto o presidente da Associação Socioprofissional Independente da GNR.

Para José Alho deve haver um aumento da moldura penal e uma aplicação de penas de prisão efetiva a quem agride um elemento das forças de segurança, até porque as constantes agressões sem o devido castigo “minam” a autoridade dos militares e “diminuem-nos”.

“Um guarda fica traumatizado porque é visto pela população como um indivíduo menor. É traumatizante e, por isso, é que temos a taxa de suicídio que temos”, afirmou o responsável sindical.

A “grande maioria” dos agressores é condenado a prisão ou a pena de multa. “Claro que o cidadão opta por pagar a multa”, afirma.

Nesta senda, José Alho considera que a “mentalidade da sociedade tem de mudar”, pois um polícia ou um militar deve poder defender-se em caso de agressão, sem que seja, posteriormente, alvo de um castigo.

E existe também a questão da insegurança. “Se um guarda é agredido e o agressor consegue fugir, a sociedade sente-se insegura. Da mesma maneira que se sente insegura se aos agressores não acontece nada, saem em liberdade”, atirou.

O responsável lembra ainda que a questão das agressões tem também um lado burocrático que acaba por afetar a vida do militar em questão, pois sempre que uma agressão é participada, o militar tem que comparecer em tribunal. “Imagine que a agressão é em Beja e o militar é depois transferido para o Porto? Terá que ir ao tribunal de Beja, o que implica custos e estar a despender de folgas ou até férias, se for esse o caso”, explicou.

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