Fª do Alentejo: Casal de “agricultores” começa a ser julgado por tráfico de estupefacientes.

Casal de “agricultores” que cultivavam cannabis começa hoje a ser julgado. Importavam sementes da Holanda e Espanha para cultivar em estufas construídas em anexo de habitação.

Requereram, em novembro de 2016, junto da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Alentejo que a sua habitação fosse reconhecida como aplicadora de produtos fitofarmacêuticos, mas a intenção não era mais do que cultivar cannabis em três estufas construídas num anexo à residência na aldeia de Olhas, no concelho de Ferreira do Alentejo.

De acordo com o despacho de acusação do Ministério Público de Ferreira do Alentejo, a que o Lidador Notícias (LN) teve acesso, entre fevereiro de 2014 e outubro de 2019, um casal, ele de 41 anos e ela de 39 anos, cultivou, processou e revendeu sementes de cannabis produzidas naquelas estufas (foto de arquivo do Lidador Notícias).

As sementes de cannabis eram adquiridas por telemóvel ou email a empresas sediadas em Amesterdão (Holanda) e Múrcia e Alicante (Espanha) e chegam ao seu domicílio dos arguidos, expedidas por empresa de transporte expresso, através de uma outra firma com sede em Sines, cujo funcionário está arrolado como testemunha de acusação, por também ter adquirido estupefacientes ao casal.

Um outro indivíduo também ele indicado como testemunha, recebeu em agosto de 2018 em Fafe, uma encomenda com cerca de 3.000 a 4.000 sementes de canábis cultivada pelos “agricultores” na aldeia alentejana.

Aquando da detenção, em 2 de outubro de 2019, foram encontradas em diversas divisões da habitação, incluindo no quarto dos filhos e nas estufas, 914,6 gramas de folhas/sumidades de cannabis, correspondentes a 1.350 doses, além de dezenas de apetrechos destinados ao cultivo, seca, embalamento e expedição da droga.

Acusado em co-autoria material e na forma consumada de um crime de tráfico de estupefacientes e outras atividades ilícitas, o casal começa hoje a ser julgado no Juízo Central Criminal do Tribunal de Beja por um Coletivo de Juízes, arriscando uma pena superior a cinco anos de prisão. O homem encontra-se em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Beja.

Teixeira Correia

(jornalista)

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