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“Corda Bamba”: Processo em risco. Principal testemunha “roeu a corda”.

Começa amanhã no Tribunal de Loures, o julgamento do processo resultante da operação “Corda Bamba”, levada a cabo pela PJ, em várias localidades do distrito de Beja. Um dos envolvidos é o advogado bejense Hugo Machado. O processo “pode ficar esvaziado”, já a principal testemunha “deu o dito por não dito”.

Nicolae Serban, vulgo “Neluto”, apontado como a principal testemunha da Operação “Corda Bamba”, que investigou e acusou 26 pessoas dos crimes de associação criminosa e 35 de tráfico de pessoas, corre o risco de “ficar esvaziado”, depois do cidadão romeno ter “roído a corda”.

O processo, que começa a ser julgado no início de dezembro no Tribunal de Loures, foi investigado pela PJ e em 24 de novembro de 2015 levou à detenção da maioria dos arguidos, 16 romenos, 5 búlgaros, 4 português, entre eles o advogado bejense Hugo Machado, um cidadão de Cabeça Gorda e dois de Serpa, e 1 ucraniano, dos quais 16 ainda se encontram em prisão preventiva.

As autoridades detiveram os suspeitos que consideram “implicados numa rede”, liderada pelo clã Bambaloi, de origem romena, que se dedica a “explorar” de compatriotas nos trabalhos agrícolas, a maioria nos campos do Alentejo.

Serban fez chegar ao processo uma declaração manuscrita de cinco páginas, onde “declara de livre vontade” que as declarações que fez, à PJ e no Tribunal, acusando os outros elementos “não correspondem à verdade” justificando que as mesmas “foram formuladas pela polícia judiciária e pelo tradutor, onde fui coagido a assinar e a manter o seu teor”, sustentou.

O cidadão romeno, acrescenta que fez a declaração perante o advogado, “com receio de me apresentar nas audiências, porque se disser a verdade tenho problemas com a polícia”, rematou.

Nicolae Serban, inicialmente acusado dos mesmos crimes dos restantes arguidos, e tido como o “braço direito” do chefe do gangue (Vitor Bambaloi), viu a Procuradora do Ministério Público de Sintra arquivar essas acusações por considerar que Neluto “era utilizado pela estrutura, como se fosse um escravo”, acrescentando que o mesmo se “encontrava numa situação de total dependência económica” do grupo liderado pelo clã Bambaloi.

Numa fase do processo em que era mandatário de cinco dos arguidos, Hugo Machado fez chegar ao mesmo um requerimento, onde interpunha recurso para alterar as medidas de coação dos seus clientes que se encontravam em prisão preventiva, para uma medida de coação mais ligeira, como as apresentações periódicas quinzenais.

No documento o causídico justificava que “é tempo de separar o trigo do joio”, recordando que apesar do Ministério Público indicar Nicolae Serban, vulgo “Neluto”, “como o HOMEM DE CONFIANÇA de Victor Bambaloi, já foi proferido mandado de libertação, e agora promove-se apenas a aplicação de TIR”, justificando que o MP “está refém” das declarações entre outros de “Neluto”.

Em 5 de janeiro de 2016, em resposta à pretensão do advogado, em que este colocava em causa a forma como o interrogatório e a tradução foi feita aos arguidos, a magistrada titular do processo sustenta que “ao insistir na questão, negando factos pessoais em que o próprio ilustre defensor Drº Hugo Machado participou, a defesa poderá estar a agir com uma má-fé processual, o que não deixará de ser apreciado em devido tempo”.

Dez meses depois, no âmbito do mesmo processo, Hugo Machado foi detido pela Polícia Judiciária e depois de ouvido em tribunal foi acusado dos mesmos crimes dos restantes arguidos e decretada a prisão preventiva, medida processual e viria depois a ser alterada, encontrando-se em liberdade.

O julgamento tem início amanhã, 5 de dezembro, no Juízo Central Criminal do Tribunal de Loures, perante um Tribunal Coletivo.

Teixeira Correia

(jornalista)

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