Beja: Urgência de Ginecologia e Obstetrícia do hospital encerrada pela sétima vez este ano.

ULSBA (Hospital de Beja) temporariamente sem Serviço de Urgência de Ginecologia e Obstetrícia, das 06,00 horas de sexta-feira (16 de agosto) até às 08,00 horas de domingo (18 de agosto). É a sexta vez que tal sucede desde o início do ano.

O Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja, está sem Urgência de Ginecologia e Obstetrícia desde as 08,00 horas de ontem até às 08,00 horas de amanhã, o que sucede pela sexta vez desde o início do corrente ano, por falta de um segundo médico para fazer a escala.

Este serviço já esteve encerrado esta semana, entre as 6 horas de terça e as 8 de quarta-feira, pelo mesmo motivo, o que levou a que no final da tarde de terça-feira, uma grávida em situação emergente tivesse que ser transportada pelo marido na própria viatura, depois de um médico ter recusado a inscrição da mulher e a consequente observação.

Uma hora depois de ter dado entrada no Hospital do Espírito Santo, em Évora, a 80 quilómetros da unidade de saúde bejense, cerca das 22, 2 horas, Ana Rita deu à luz, uma menina, batizada com o nome de Joana, com 3,400 quilos.

Domingos Vareta, marido da parturiente apresentou queixa do Hospital de Beja, pertencente à Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA), tendo redigido queixas no Livro de Reclamações dos dois hospitais, Évora e Beja.

Ao JN, fonte hospitalar confirmou “a receção da queixa nos serviços administrativos da ULSBA, sendo tratada pelo Gabinete do Cidadão e durante a próxima semana remetida à Direção Clínica, cabendo a esta a recolha de dados e informações para apuramento de responsabilidades e tomada de qualquer decisão”, justificou.

Segundo foi possível apurar, Domingos Vareta, pondera apresentar queixa no Ministério Público, contra o médico do Hospital de Beja, que recusou inscrever e assistir a sua mulher por “negligência

A mesma fonte acrescentou que até ao final do mês de agosto “a situação não vai repetir-se porque as escalas de serviços de médicos de Ginecologia e Obstetrícia estão completas”, rematou.

Face à polémica que a situação com Ana Rita gerou, a ULSBA alterou os procedimentos e na sua página online refere que “procederá à transferência para o Hospital do Espírito Santo (Évora) das utentes que recorram ao Hospital José Joaquim Fernandes (Beja) com critérios clínicos que o justifiquem/possibilitem”, acrescentado que “em caso de urgência, as grávidas deverão ligar o 112 ou em caso de dúvida o 808 24 24 24 (Saúde 24)”.

Leia mais aqui: http://www.ulsba.min-saude.pt/2019/08/12/ulsba-temporariamente-sem-servico-de-urgencia-de-ginecologia-e-obstetricia-das-06h00-de-terca-13-de-agosto-as-08h00-de-quarta-feira-14-de-agosto/

Mais dois hospitais sem médicos

No Alentejo, a falta de médicos não se cinge somente ao hospital de Beja, já que em Portalegre o hospital também não tem Urgência de Ginecologia e Obstetrícia desde ontem e ao longo do fim-de-semana, por falta de especialistas.

Por seu turno, no Hospital do Litoral Alentejano, em Santiago do Cacém, o problema é outro durante este fim-de-sema, mas a causa é a mesma, falta de médicos. Devido à falta de profissionais “em número suficiente” para preencher a escala de serviço não vão ser feitas cirurgias no bloco operatório, tendo ao que o JN apurou, feitas nos hospitais de Évora e Beja.

Teixeira Correia

(jornalista)

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