Beja: Seis concelhos do distrito com perdas de água superiores a 50%.

Desperdício de água agrava-se em metade dos concelhos do país. Em seis dos catorze concelho do distrito de Beja, as perdas são superiores a 50%.

Segundo um trabalho do Jornal de Notícias (JN), as perdas de água agravaram-se em ano de seca, apesar das medidas de poupança que os autarcas e as entidades gestoras dos sistemas de abastecimento anunciaram por todo o país.

Metade dos concelhos (48,2%) piorou o seu registo em 2017. Feitas as contas, o volume de água não faturada em Portugal seria suficiente para encher 281 piscinas olímpicas por dia.

No caso do distrito de Beja, em seis dos catorze concelho do distrito de Beja, as perdas são superiores a 50%. Moura, com 61,7% é o concelho onde as perdas são maiores. Em Ferreira do Alentejo as perdas são de 57,6%, Cuba com 56%, Aljustrel com 53,9%, Ourique com 51,8% e finalmente Vidigueira com 51,3%.

O mau desempenho reflete-se no índice nacional que cresceu de 29,8% para 30,2%. O relatório anual da Entidade Reguladora dos Serviço de Águas e Resíduos (ERSAR), publicado no final de dezembro, contabiliza 256,6 milhões de metros cúbicos (m3) de água não faturada, mais 15,7 milhões de m3 do que em 2016. A água não faturada é aquela que se perde nas condutas envelhecidas no percurso até às torneiras e é o volume de água usado para fins públicos não pagos, como regar jardins ou encher piscinas.

As perdas de água agravaram-se em 134 concelhos, mas 121 melhoraram o seu registo. Dos 278 municípios do continente, 23 não forneceram dados para avaliar a evolução. É relevante o facto de 64% (179) dos concelhos finalizarem o ano de seca com um índice de água não faturada superior à média nacional de 30,2%. Acresce que, em 79 municípios, mais de metade da água comprada pelas autarquias é perdida. Isso sucede sobretudo no interior, onde existem menos equipamentos públicos, o que significa que a maioria dos 256 milhões de m3 não faturados foi efetivamente desperdiçada.

40 milhões para obras

A lista é encabeçada por Macedo de Cavaleiros, onde 76,9% da água comprada para abastecer a população não foi faturada. Também Peso da Régua, Cabeceiras de Basto, Murça, Santa Marta de Penaguião, Chaves, Castanheira de Pera, Castelo de Paiva, Mação e Moimenta da Beira perderam 70% ou mais da água que compraram.

O Governo apresentou, a 11 de dezembro, uma linha de investimento de 40 milhões de euros do Portugal 2020 para combate às perdas de água. O apoio permite alavancar um investimento total de 100 milhões. A meta é reduzir a taxa de água perdida para 20%.

Há municípios que já apresentam taxas reduzidas, como Loulé, Santo Tirso, Lisboa, Campo Maior, Cascais e Alcobaça. Braga fechou o ano de 2017 com 13,9%, Faro com 20,1% e o Porto com 19%.

Os números confirmam que o ano de seca trouxe um maior consumo de água da rede pública. Cada habitante gastou 192 litros por dia, mais cinco litros diários do que em 2016. Fazendo contas só ao consumo doméstico, também aumentou: cada morador gastou 126 litros, mais dois litros do que no ano anterior. O encargo médio com a água para o utilizador final cresce, pelo menos, desde 2014. Nesse ano, cada consumidor pagou 126,5 euros por ano. Três anos depois, o encargo por utilizador subiu para 131 euros.

Baixa adesão é risco

Apesar de 98,9% da água que corre nas torneiras em Portugal ser segura, a adesão à rede pública de água pelos moradores fica-se pelos 87%. E tem crescido muito pouco ao longo dos anos, embora a ligação à rede seja obrigatória por lei desde 2009. Para a ERSAR, este nível de adesão é “insatisfatório” e encerra riscos para a saúde pública pelo uso de poços e de outras origens de água que não são controladas.

Norte paga mais

O Norte paga mais pela água do que as restantes regiões do país. Num consumo de 10 m3 mensais, os nortenhos desembolsaram, em média, 11,8 euros por mês só de água, sem tarifas fixas. A segunda região mais cara é o Centro, seguida de Lisboa. O custo da água é mais baixo no Algarve (8,5 euros) e no Alentejo (8,9 euros). Já a recolha do lixo e o saneamento são mais dispendiosos no Algarve.

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