Beja: Portu-galo, é o 5º mural mais belo do Mundo, segundo o Widewalls.

O  Widewalls, um site britânico de arte urbana, elegeu 55 mais belos murais e obras de arte de rua do ano e o 5º mural mais belo em todo o Mundo, o Portu-galo, da autoria de Bordalo II, está em Beja.

“Os Murais mais Bonitos de 2017” iniciativa da Widewalls, elegeu como o 5º mural mais belo, o Portu-galo, da autoria de Bordalo II e criado na última iniciativa Beja na Rua neste ano de 2017, podendo ser observado na parede de uma habitação, junto ao Núcleo Museológico da Rua do Sembrano.

Discrição da Widewalls

5. Bordalo II em Beja, Portugal. No número 5 dos murais mais bonitos de 2017, temos o “artista do lixo”, Bordalo II. Entre os animais, esses indivíduos talentosos criados a partir de uma variedade de materiais usados ​​e descartados, é esse galo, que agora está trabalhando na parede da cidade de Beja. Com o título de Portu-galo, o galo possui placas e tubos metálicos e muitos salpicos de cor, entre outras coisas, mais uma vez, comprovando o quanto esse artista é astuto. Se você deseja verificar todos os lugares, Bordalo II deixou sua marca, não deixe de visitar este link!

O site britânico diz “não haver dúvida de que os artistas de rua e suas criações ganharam popularidade e continuam a fazê-lo, principalmente graças às mídias digitais e sociais. Sendo obras de arte públicas, eles chegam a uma grande audiência hoje em dia sempre pronto para espalhar a palavra e dar-lhes a visibilidade bem merecida.É aí que nós, como Widewalls, chegamos para dizer que estamos orgulhosos de fazer parte desse fenômeno e de todos os seus
aspectos, através da nossa dedicação e respeito por essas incríveis obras de arte e os autores mentais por trás deles”.

Quem é Bordalo II? O homem que do lixo faz arte. (extratos de um texto da Magazine Notícias).

Transforma lixo em arte, espalhando instalações com grandes animais pelas paredes das cidades. Há um novo artista português nas bocas e nas ruas do mundo.

É final de outubro e estão ali para-choques de carros amolgados, contentores de lixo partidos, teclados de computador inutilizados, pneus de bicicleta vazios. Tudo amontoado no quintal do número 48 da Rua de Xabregas, no bairro lisboeta do Beato, fora do circuito das galerias da capital.

Nos dias seguintes, todo aquele lixo seria transformado em figuras de animais – umas grandes, outras médias, outras pequenas –, para compor uma espécie de jardim zoológico feito de detritos. A 4 de novembro inauguraria, naquele mesmo armazém, a primeira exposição do artista de rua Bordalo II, com o nome Attero, substantivo latino para «desperdício». Até mea­dos desta semana o número de visitantes cifrava-se já em oito mil. As portas continuam abertas até ao próximo domingo, 26 de novembro, no que parece ter-se tornado num dos eventos culturais do ano.

O que é que Bordalo II tem? Para já, tem impacto visual. Algumas das suas criações medem vários andares de altura – e a maior que fez até hoje foi uma andorinha em Lodz, na Polónia, misto de pintura e escultura instalada «na fachada de um edifício com três pisos, mas com um pé-direito tão alto, que na verdade bem podiam ser quatro ou cinco».

O percurso de Bordalo II começa a traçar-se na infância. Nascido Artur Bordalo em 1987, em Lisboa, teve no avô uma figura primordial para se transformar também ele em artista plástico. Real Bordalo, que nasceu em 1925 e morreu em junho deste ano, pintou dezenas de óleos e aguarelas das paisagens urbanas de Lisboa.

Tem, aliás, a sua obra representada em vários museus do país e em coleções privadas de França, Itália, Japão, Estados Unidos e Alemanha. O nome que o neto escolheu para se identificar, Bordalo II, é uma homenagem às raízes plásticas familiares. Até porque ambos partilhavam o mesmo primeiro nome: Artur.

Em 2012, então, arrancou com os primeiros projetos a sério. Foi em duas fábricas que tinham fechado portas em Cabo Ruivo, nelas construiu os primeiros animais que fotografou e se foram espalhando pela net.

Primeiro, saíam artigos pequenos, pouco mais do que notas em listagens de arte urbana. Mas a partir de 2015 começaram a reparar a sério nele. Um blogue de arte chamado Colossal, depois os sites Bored Panda e High Frutose congregaram milhões de visualizações para o que andava a fazer. «E, a partir daí, foi uma avalanche.»

A parte maior do trabalho de Bordalo II acontece em festivais de arte urbana, instalações edificadas por encomenda. O primeiro de todos, foi nos Açores, o Walk and Talk, mas a partir de 2015 começou a ser convocado para os maiores eventos do mundo – como o NuArt da Noruega ou o Life is Beautiful em Las Vegas. Choviam encomendas da Polónia, de Itália, um ano depois os seus animais foram levantados em paredes de lugares como a Cidade do México e o Taiti, Miami ou Aruba.

Nesta galeria de imagens está um coelho que instalou em junho em Vila Nova de Gaia, para a primeira edição do festival Gaia Todo Um Mundo. Chama-se Half Rabbitt, porque metade é coberto com tinta e a outra mostra os materiais originais, sem qualquer cobertura. É uma das 88 peças que tem expostas nas ruas do mundo.

Onde ver (por enquanto) obras de Bordallo II em Portugal

  • Bragança: Wild Boar (2016); Gineta (2016) e Urban Camouflage (2014) Avenida João da Cruz
  • Vila Nova de Gaia: Half Rabit (2017) Rua Guilherme Gomes Fernandes
  • Estarreja: Guarda Rios (2015) Pavilhão Municipal de Estarreja
  • Viseu: Lince Ibérico (2016) Carmo 81
  • Águeda: Pisco (2017) Rua 5 de Outubro
  • Covilhã: Owl Eyes (2014) Largo Senhora do Rosário
  • Fundão: Wolf (2016) Estação de Comboios
  • Idanha-a-Nova: Trash Globe (2016) Boom Festival
  • Alcains: Grifo (2016) Rua Sanches Semedo
  • Salvaterra de Magos: Lutra Lutra (2017) Ecofestival CERAS
  • Leiria: Hal Heron’s; Family (2017) Rua de Tomar
  • Loures: Garça (2014) Rua Pêro Escobar
  • Lisboa: Pi G (2016) Rua Rio Douro; Bee (2016) LX Factory; Dove White Dove(2016) Católica Business School; Racoon (2015) Centro Cultural Belém; Peixes d’Alcântara (2015) e Osga (2015) Avenida de Ceuta; Raposa (2017) Av. 24 de Julho; Chimpanzé (2017) e Sapo (2017) Rua de Xabregas
  • Costa de Caparica: Polvo (2016) Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental
  • Montijo: Trash Head Donkey (2017) Avenida de Pescadores
  • Beja: Portu-Galo (2017) Núcleo Museológico da Rua do Sembrano

Teixeira Correia

(jornalista)

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