Beja: Obra das fábricas da Fairfruit, no Parque Industrial, parada há cinco meses.

A obra da Fairfruit Portugal no loteamento municipal de atividades económicas da Horta de São Miguel, na zona norte do Parque Industrial de Beja, está parada há cinco meses. Depois da Aeroneo este poderá ser mais um “projeto adiado”.

Aquando da assinatura do protocolo de cedência do terreno para a instalação de uma unidade agroindustrial de transformação de fruta (desidratação, congelação e corte) e uma outra para embalamento do produto da Farfruit Portugal, foi considerado como um investimento “prioritário pela criação de emprego e pelo impulso à economia local”.

O investimento da Farfruit, uma empresa europeia com sede na Suíça, superior a 13,7 milhões de euros, com um apoio financeiro da União Europeia de mais de 8,2 milhões de euros, permitiria numa primeira fase criar cerca de 35 postos de trabalho permanentes e mais 150 postos de trabalho sazonais, estando também previsto o alargamento da laboração da unidade agroindustrial a frutos de todas as épocas, através de parcerias com empresas produtoras para evitar a sazonalidade da produção.

Contrapondo a este cenário, a verdade é que há cinco meses que a obra está parada e não perspetiva de data para o seu recomeço, deixando de lado aquele que era o prazo de conclusão da mesma, que segundo o Alvará de Licenciamento Municipal Nº 15/2019, seria 13 de julho de 2020.

Segundo apurou o Lidador Notícias (LN) junto de fonte da empresa empreiteira da obra, “esta parou em junho por ordem do proprietário, tendo sido retirada toda a maquinaria, mantendo-se a segurança da mesma 24 horas por dia”, concluíram.

Junto da autarquia o LN apurou que a empresa comunicou que “aguardava autorização do Comando de Beja da PSP para proceder à utilização de explosivos para proceder ao rebentamento de pedras para a continuação da obra”. Contatada aquela força policial sobre quando seria dada resposta ao pedido foi referido que “não deu entrada naquele comando qualquer pedido para o uso de explosivos no local”, remataram.

Por forma a facilitar a instalação da empresa na Horta de São Miguel, na reunião do Executivo da Câmara de Beja de 21 de outubro de 2015, foi aprovada a disponibilidade de quatro lotes de terreno com uma área total de 9.493,44 m2, pelo preço de 0,25 euros/m2, num valor total de 2.373,37 euros. Em 2 de março de 2016 foi aprovado o aumento dos lotes de terreno, tendo sido aprovada a cedência de mais dois lotes, com uma área total de 5.222,96 m2, pelo mesmo preço de 0,25 euros/m2, num valor total de 1.305,74 euros. Ou seja, foram disponibilizados 14.616,40 m2 pelo valor de 3.678,11 euros.

Por mail o Lidador Notícias colocou questões à Fairfruit Portugal para esclarecer a situação da paragem da obra e à CCDRA sobre o projeto e a aprovação ou não da comparticipação comunitária, mas não recebeu respostas em tempo útil.

Processos judiciais em curso

Além da paragem da obra, a empresa está envolvida em processos judiciais, num enfrentam um pedido de indemnização e em três, empresas do seu universo empresarial enfrentam ações de execução.

No primeiro caso trata-se de um processo de ação comum, que vai ser julgado no início do próximo mês de dezembro no Tribunal de Beja, onde a De Prado Portugal exige uma indemnização de 226.056,03 euros por incumprimento de um contrato na aquisição de 259 toneladas de azeite de diversos tipos e na entrega da produção de azeitona, que a Fairfruit Portugal contesta.

No segundo caso três empresas do seu universo são alvo de ações de Execução Sumária, movidos por uma empresa do concelho de Aljustrel, que comercializa produtos e máquinas agrícolas, no valor total de 96.293,92 euros.

Teixeira Correia

(jornalista)

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