Beja: José Alho, o patrulheiro da GNR que agora vende enchidos.

Foi patrulheiro da Brigada de Trânsito GNR durante mais de um quarto de século e continua a defender a sua reativação. Como dirigente sindical esteve na “clandestinidade” da APG e fundou a ASPIG. Agora na Reserva dedicou-se à venda de enchidos caseiros.

Nome: José Fernando Dias Alho, Idade: 57 anos

Profissão: Militar da GNR na Reserva

Naturalidade: Quintos, concelho de Beja, Residência: Beja

Vai defender “até à morte” a reativação da Brigada de Trânsito (BT) da Guarda Nacional República (GNR), em que foi patrulheiro durante 26 dos 30 anos em que foi profissional da instituição. Reconhece que há bons militares e comandantes nos atuais Destacamentos, mas não aceita a dependência hierárquica dos Comandos Territoriais. À boa maneira alentejana, José Alho, atira: “papeira é uma coisa, inchaço é outra”.

Nasceu na pequena aldeia de Quintos, no concelho de Beja, junto à margem direita do rio Guadiana, daí que apesar de se definir com um ser humanista, considera-se como “um bicho-do-mato”. Entrou para a GNR em 1986, com 25 anos, mas já tinha envergado a farda dos Bombeiros Voluntários de Cuba, durante quase uma década.

Quis a política que as freguesias de Quintos e Salvada sejam hoje uma União de Freguesias a que o Zé Alho, como é tratado por toda a gente, está ligado. A primeira onde nasceu e a segunda onde foi colocado como Guarda, depois do Curso em Portalegre e do Estágio em Pampilhosa da Serra.

Ser patrulheiro na Brigada de Trânsito era o seu sonho e quatro anos depois de jurar bandeira, tinha conseguido passar a usar o boné branco. Alegrias e tristezas “colecionou” muitas ao longo da carreira, mas a mais dolorosa foi a extinção das Brigadas, entre elas a de Trânsito. “Foi o maior erro político no pós-25 de Abril, na segurança deste país”, diz revoltado, sustentando que “a restruturação da GNR foi uma das maiores asneiras das últimas décadas”, defende.

Esteve naquilo a chamou a “clandestinidade do associativismo na Guarda” aquando da criação da APG, mas “atrás dos tempos vêm tempos” e junto a uma quarentena de associados tornam-se dissidentes e formam a ASPIG, da qual foi presidente durante 13 anos e onde agora assume a Assembleia-Geral. Na retina do país ficou a manifestação das forças de segurança em setembro de 2005, quando José Alho surgiu no Terreiro do Paço, em Lisboa, montado num burro e com um pirilampo azul a assinalar a marcha.

Ainda como militar, no posto de Cabo-Mor, chega à TVI, onde foi comentador durante 4 anos, no programa “Você na TV”, sendo companheiro dos apresentadores Manuel Goucha e Cristina Ferreira. Depois de um interregno, Zé Alho voltou aos comentários televisivos na última semana de novembro, para “denunciar os problemas das forças de segurança, do crime violento e ser uma voz do Alentejo”, justifica.

Se a pesca no rio Guadiana é dos seus grandes hobbys, a um bom petisco, com produtos da região, e a uma matança de porco, “nunca digo não”, acrescentando que “um bom convívio com amigos é mais um dia de boa vida”, remata.

Com uma corneta de bicicleta, para anunciar a chegada, anda de canto em canto da região, a vender os enchidos do primo Cravinho, que no Vale de Açor de Baixo, concelho de Mértola, “produz dos melhores produtos do Alentejo. Presuntos, paios, linguiças, toucinho, torresmos, tudo o que faz “bem” ao colesterol”, diz a sorrir.

A par do Homem rebelde, de palavra fácil na ponta da língua e que não vira a cara à luta, está o “coração mole” de filho, há um Homem que diariamente vai ao lar, em Santa Clara de Louredo (Beja), dar um beijo à Dona Maria Luísa, a mãe, com 89 anos.

Teixeira Correia

(jornalista)

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