Beja: Joaquim Bexiga “chegou” a casa seis meses após alta hospitalar.

Seis meses após alta clínica no Hospital de Évora, Joaquim Bexiga foi finalmente levado para a sua residência, em Beja, onde é assistido e auxiliado por enfermeiros do Hospital de Beja (ULSBA).

Seis meses depois de ter tido alta médica no Hospital do Espirito Santo de Évora (HESE), onde se encontrava internado desde 11 de julho de 2017, Joaquim Bexiga Rosa, 48 anos, foi finalmente transferido para a sua residência em Beja, onde ontem (sábado) já recebeu o primeiro tratamento, assistido pelos enfermeiros da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA).

Técnico especialista de telecomunicações e voluntário dos Bombeiros de Beja, foi internado no HESE depois de lhe ter sido diagnosticada uma Obstrução Intestinal Não Especificada e sujeito a uma intervenção cirúrgica para colocação de um cateter central no peito, por onde recebe a alimentação parentérica (liquida).

Joaquim Bexiga estava há 4 meses “amarrado” à cama do hospital aguardando que a Direção Clínica do Hospital de Beja/ ULSBA assumisse a prestação de cuidados médicos, quando no dia 8 de maio, o Jornal de Notícias (JN) divulgou publicamente o caso.

O HESE deu formação aos Serviços Farmacêutico e de Nutrição e Equipa de Apoio Domiciliário do congénere de Beja, e apesar do tempo passar a ULSBA justificava que “não dispunha” da especialidade de Gastroentrologia, justificando que “tudo fará”, com a colaboração do HESE, para prestar “cuidados adequados, num período temporal muito breve”.

Volvidos dois meses sobre a divulgação do caso pelo JN, Joaquim Bexiga, foi finalmente transferido para a sua residência e assim estar na companhia das duas filhas menores e dos pais.

“Foi muito duro. Tive que aprender a lidar com uma situação para a qual não estava preparado. Tive que saber viver com o facto de ver morrer 12 pessoas ao meu lado. Ter sido bombeiro e a companhia dos meus três filhos deram-me força e esperança para lutar”, justificou Joaquim Bexiga.

Reconhecido agradece a quem o tratou e ajudou: “valeu-me a dedicação, humanismo e profissionalismo de médicos, enfermeiros e auxiliares do Hospital de Évora e dos Bombeiros de Beja. O envolvimento do Lidador Notícias (LN) e do Jornal de Notícias (JN), foram muito importantes para que a minha situação fosse ultrapassada”, rematou.

A demora do Hospital de Beja ter assumido a resolução do problema é “uma atitude incompreensível para um filho da terra e um bombeiro voluntário”, acusa.

Desde sábado que Joaquim Bexiga é diariamente ligado, pelos enfermeiros, a uma máquina, com um controlador de gotas, fixada num tripé móvel, para ser alimentado entre as 16,00 e as 08,00 horas do dia seguinte. Durante as restantes oito horas o doente pode fazer uma vida o mais normal possível, que a doença lhe permita, como vai fazer todos os dias, cozinhar almoço e jantar para as filhas.

Até final vai ter que passar por uma Junta Médica para lhe determinar o grau de invalidez, mas o terminar o voluntariado como bombeiros é o que mais o atormenta. “Sempre adorei ser bombeiro, era a minha grande paixão, ajudar os outros era importante para mim, agora deixo de o fazer”, lamenta.

FICHA

Joaquim Marinheiro Bexiga Rosa, 48 anos, divorciado, pai de três filhos, um rapaz, Miguel Ângelo, de 25 anos e duas raparigas, Mafalda, de 9 anos e Margarida e 15 anos.

Técnico Especialista de Telecomunicações e voluntário dos Bombeiros de Beja, foi internado no Hospital do Espírito Santo de Évora, em 11 de julho de 2017, com uma Obstrução Intestinal Não Especificada, tendo em 22 de dezembro sido sujeito a uma intervenção cirúrgica para colocação de um catéter central no peito, por onde recebe a alimentação parentérica (liquida).

Teixeira Correia

(jornalista)

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