Beja: Distrito com o maior número aumento de vítimas mortais em acidentes de viação.

O distrito de Beja registou o maior número de vítimas mortais em acidentes de viação durante o ano de 2019, comparativamente ao ano anterior.

Os dados constam do relatório anual da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) que revelam que entre 1 de janeiro e 31 de dezembro, nas estradas da região morreram 31 pessoas, mais 8 do que em 2018.

O número de vítimas mortais no distrito tem vindo em crescendo desde 2017, tendo o ano passado sido registados mais 10 mortos, tal como o número de acidentes que passou de 2.114 para 2.227. A realidade dos números em feridos graves é a única que sofreu um decréscimo, passando de 96 em 2017, para 74 o ano passado.

No concelho de Ourique número de acidentes, aumentou de 2018 para 2019, tendo passado de 46 para 62, o que fez com que o registo de vítimas mortais que subiu de forma mais notória, que passou de 3 em 2018 para 7 em 2019, sendo o IC 1 e o troço da Portela do Lobo, como o “ponto negro” daquela via, onde ocorreu a esmagadora maioria das mortes.

O mês de maio foi o mais negro e mortífero nas estradas do distrito, onde se registaram seis mortos. Uma colisão entre um ligeiro de passageiros e um cavalo no IP2 junto a Beja, causou a morte da condutora, enquanto que o despiste de uma ambulância da Delegação da Cruz Vermelha de Safara, no concelho de Moura, esteve na originando da morte dos dois ocupantes. As outras três vítimas registaram-se no dia 18 de maio no concelho de Ourique.

Em dois acidentes no IC1, uma colisão e um despiste, morrem três homens, um de 25 e dois de 86 anos, e outros três sofreram ferimentos graves. O último ocorreu em 9 de dezembro, quando uma rapariga de 22 anos, natural de Garvão (Ourique), filha de um militar da GNR, perdeu a vida numa colisão contra outro ligeiro de passageiros.

A sul de Ourique, o troço do IC1, na Portela do Lobo, com cerca de 10 quilómetros entre pelos agressivos vales da Serra do Caldeirão, carateriza-se por ser uma via bastante sinuosa, em alguns locais com duas faixas no sentido ascendente. Recentemente foram colocados sinais limitadores de velocidade tendo baixado dos 90 para os 70 kms/hora.

Mário Batista, comandante dos Bombeiros Voluntários de Ourique, refere que “face ao estado do piso, qualquer chuva que caia origina de imediato acidentes”, acrescentando que “a eventual colocação de radares fixos, só provoca a dissuasão dos condutores naqueles locais”, defendendo que estes “deveriam adequar a condução às condições da via”, rematou.

Por seu turno, José Alho, antigo patrulheiro da Brigada de Trânsito durante 30 anos, sustenta que “as grandes chagas na estrada são o uso do telemóvel e o álcool”, acrescentando que não há fiscalização “por causa da falta de efetivos. Faltam 5.000 efetivos no Quadro Orgânico da GNR”, sustenta.

Para justificar o cenário a que chama de “penúria” no patrulhamento, José Alho revela que no Destacamento de Trânsito do maior distrito do país “existem quatro motas. Há largos períodos de tempo sem uma única patrulha nas estradas. Os comandos da Guarda fazem o que podem, a culpa é do Governo”, remata.

 Teixeira Correia

(jornalista)

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