Beja: Dinis e Ricardo Cortes, os “olhos vigilantes” na observação da fauna e da flora.

Pai e filho aproveitaram o que sabem para criar em Beja uma empresa que mostra e divulga a biodiversidade e colaboram com o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF).

Nomes: Dinis Cortes (64 anos) e Ricardo Cortes (38 anos)

Profissões: Observadores de aves (consultor e manager)

Naturalidade e Residência: Beja

O gosto pela observação da flora e da fauna, conhecida como birdwatching, levou a que os Cortes se unissem em torno da criação de uma empresa inovadora especializada em conhecimento e documentação da natureza, biodiversidade e alvorecer da espécie humana.

Ricardo, o filho, tinha grande experiência na recolha de imagem, em fotos e vídeo, por seu turno Dinis, o pai, tinha um património de mais de 30 mil fotos sobre a natureza, muito pela vivência como um dos fundadores da Quercus e dos primeiros ativista da Associação Zero.

Porque sentiram a necessidade rentabilizar tão grande património, tendo Ricardo como gestor e Dinis como consultor, foi fundada há dois anos a empresa Wildscape, que já tem atividade de relevo no setor.

Entre os três grandes objetivos a desenvolver pela novel empresa estão: a natureza e a evolução das espécies de fauna e flora, a bio arqueologia e evolução humana em contexto europeu com especial foco na Península Ibérica e o estudo, observação e interpretação do céu noturno e de fenómenos astronómicos, geológicos e paleontológicos.

Em 2018, Ricardo e Dinis criaram para a Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL) uma exposição sobre alterações climáticas, que foi uma das grandes atrações da Ovibeja, a maior feira do Sul de Portugal. A exposição tem também um caracter de itinerante, circulando por bibliotecas e feiras do distrito de Beja, sendo fator de grande abrangência junto das comunidades locais. Este ano e aquando da realização do 10º Festival de Observação de Aves do Concelho de Vila do Bispo e Promontório de Sagres, criaram um “Guia de aves”, com 220 páginas e mais de 400 fotografias, com a particularidade da capa ter sido desenhada a crayon pela inglesa Vanessa Leadbittter.

Em 2020, a grande aposta passa pela realização de percursos pedestres transformados em percursos ornitológicos e também sessões de observação do céu, dedicados a crianças e a adultos. Escolas, autarquias, empresas de turismo, unidades hoteleiras ou de turismo rural, são os alvos prioritários.

 “Temos muitas raridades mundiais ao nível da flora e da fauna no concelho de Beja, que são praticamente desconhecidas. Quem quiser andar pelos campos e ter uma experiência, tem duas opções: o passeio matinal ou durante todo o dia”, revela Ricardo Cortes.

“Há património e capacidades a explorar. É importante estar de outro modo no contato com a natureza e a sua caraterização”, sustenta Dinis Cortes.

Dispondo da licença de Registo Nacional de Atividades Turística, a Wildscape desenvolve um trabalho importante junto do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). “Tudo o que descobrimos que seja raro, fotografamos e fazemos vídeo e reportamos ao ICNF”, revela o jovem Ricardo.

Para Dinis Cortes a atividade ao ar livre, constitui-se também como um escape, uma vez que desde 1990 que é médico na área da toxicodependência e comportamentos aditivos, tendo sido o Diretor Regional na área e diretor clínico dos Centros de Responsabilidade Integrados (CRI).

Teixeira Correia

(jornalista)

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