(Atualizada) Cuba: Câmara decreta três dias de luto pela morte do bombeiro.

Câmara decreta três dias de luto pela morte de Carlos Carvalho, operacional dos Bombeiros Voluntários de Cuba, que ficara ferido em incêndio de Castro Verde. Este é o quarto bombeiro a morrer em contexto de combate a incêndios em Portugal no mês de julho.

Faleceu ontem no Hospital de São José, em Lisboa, Carlos Carvalho, 40 anos, o operacional dos Bombeiros Voluntários de Cuba (BVC), que tinha ficado gravemente ferido no incêndio que deflagrou em Castro Verde no passado dia 13 de julho.

A Câmara Municipal de Cuba, presidida por João Português antigo presidente da direção dos BVC, decretou que se cumpram três dias de luto municipal, em 31 de julho e 1 e 2 de agosto.

Natural de Vila Alva, concelho de Cuba, Carlos Carvalho era bombeiro de 3ª classe e voluntário da corporação, estava internado na Unidade de Queimados do hospital lisboeta, em estado sempre considerado como “muito grave”, uma vez que apresentava queimaduras em 95% do corpo, nunca tendo saído do coma.

A lutar pela vida na mesma unidade hospitalar continua Carlos Heleno, 29 anos, o outro operacional dos BVX, que apresenta uma situação mais favorável já que tem o corpo menos queimado.

Os dois operacionais combatiam um violento incêndio que deflagrou cerca das 17,00 horas do dia 13 de julho no concelho de Castro Verde, tendo sido apanhados numa brusca mudança de direção das chamas face ao fortíssimo vento que se fazia sentir.

O fogo começou por se propagar para Oeste, em direção a Carregueiro, concelho de Aljustrel, e que levou ao corte da EN2, mas uma repentina mudança de vento para Este, fez com que as chamas mudassem de direção, passando depois o IP2, que foi também encerrado.

Depois de resgatados por colegas, os dois operacionais foram transportados por um helicóptero do INEM, que aterrou no IP2, junto à localidade de Entradas, para o Hospital de São José.

José Galinha, comandante dos BVC, era um homem destroçado com a morte do seu comandado. “É o dia mais triste da história da corporação. Deixou um rasto de tristeza e de amargura em todos os membros de Corpo Ativo e Direção. Nunca contamos que nos aconteça a nós, mas desta vez sucedeu”, rematou.

“Após uma prolongada luta pela vida, infelizmente chegou o momento que nunca desejámos, o Carlos não continua junto a nós. Consola-nos o facto de sabermos que o nosso homem foi um bravo lutador pela vida até ao fim”, escreveu a corporação de Cuba no facebook.

Domingos Fabela, presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Beja (FBDB), começou por lamentar “a perda de mais uma vida humana em situações trágicas. Que haja memória é a primeira vez que sucede numa corporação do distrito”, deixando críticas à falta de novos equipamento de proteção individual (EPI). “Desde 2015 que as corporações não recebem novos EPI’s, quantas mais mortes são precisas para existir reforço de meios”, rematou.

A FBDB já comunicou as outras 14 corporações do distrito para colocarem as bandeiras à meia haste e em cada quartel será feita uma homenagem para recordar o bombeiro agora desaparecido. Ainda não há data para a realização das cerimónias fúnebres de Carlos Carvalho.

Em nome da Liga Portuguesa de Bombeiros, Jaime Marte Soares, expressou à família enlutada e aos bombeiros de Cuba o “mais profundo sentimento de respeito e solidariedade neste momento tão difícil, com um abraço de amizade e pesar”.

Além dos dois bombeiros de Cuba, outros três operacionais dos bombeiros de Ferreira do Alentejo e Castro Verde sofreram ferimentos ligeiros, tendo esta última corporação perdido uma viatura de combate a incêndios, em resultado de um acidente.

O incêndio foi combatido por mais de 200 operacionais, apoiados por 56 viaturas e três meios aéreos, fazendo com que ardessem 2.433 hectares de cereais, pastagem e fardos, afetando 13 explorações agrícolas.

Mensagem do Presidente da República

Marcelo Rebelo de Sousa lamentou, esta quinta-feira, o óbito do bombeiro de Cuba, no Alentejo, que morreu após ter ficado gravemente ferido enquanto combatia o incêndio, em Castro Verde.

“Foi com profunda consternação que o Presidente da República tomou conhecimento da morte do bombeiro Carlos Carvalho, que no passado dia 14 visitou no Hospital de Santa Maria, e que infelizmente não resistiu aos graves ferimentos de que foi vítima durante o combate ao incêndio em Castro Verde”, começa por referir uma nota divulgada, no site oficial da Presidência.

Marcelo Rebelo de Sousa já “falou pessoalmente com a mãe” do operacional da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cuba, e “dirigiu os mais sentidos pêsames” àquela corporação, aos seus familiares e amigos.

Reacção do Primeiro-ministro

Foi com profunda consternação que tomei conhecimento da notícia do falecimento do bombeiro Carlos Carvalho”, começou por lamentar António Costa, numa nota de pesar divulgada, esta quinta-feira, pelo gabinete do primeiro-ministro, momentos após ter sido anunciado que o operacional, que tinha sofrido ferimentos graves enquanto combatia as chamas num incêndio em Castro Verde, não sobreviveu.

Denotando que este é um “momento de profunda dor”, o chefe do Governo sublinhou que os seus “pensamentos estão com a família, os amigos e a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cuba”. “Em meu nome e em nome do Governo, apresento os meus sinceros sentimentos”, reiterou.

Teixeira Correia

(jornalista)

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