Almodôvar: Manuel Caetanita, um “jovem” ciclista campeão de Portugal e Ibérico de Masters.

Ciclista há mais de meio século, quer continuar a competir até concretizar o objetivo da carreira e que marcará a sua vida. “Sonho trazer uma medalha do Campeonato do Mundo de Masters (Veteranos), nem que seja de bronze e depois arrumo a bicicleta”, revela Manuel Caetanita.

Manuel Caetanita, 69 anos

Profissão: Reformado (mecânico de automóveis)

Naturalidade e Residência: Almodôvar

O alentejano de Almodôvar recorda que o ano passado em França esteve à beira de conseguir esse feito, mas “uma violenta queda roubou-me o sonho”, remata.

Na estrada e na vertente de Fundo ou Linha, conseguiu cinco títulos de Campeão Nacional, um de e dois da Península Ibérica e um de Rampa, enquanto que no Contrarrelógio, alcançou quatro títulos. No passado dia 24 de maio, em Reguengos de Monsaraz, debaixo de uns tórridos 38 graus, Caetanita conseguiu o Penta.

A sua “coroa de glória” ocorreu na Volta a Portugal de 1976 quando derrotou, Joaquim Agostinho, Fernando Mendes, Joaquim Andrade e Firmino Bernardino e ganhou a etapa que terminou na Mealhada, envergando a camisola da Casa do Povo de Almodôvar. A mais

A paixão pelo ciclismo começou aos 17 anos quando rumou a Faro para ganhar a vida como mecânico de automóveis. Na EN125, via passar António Graça, José Maria Nunes e outros famosos corredores do Ginásio de Tavira e o “bichinho” das bicicletas “entrou-lhe” no corpo. A outra figura do ciclismo, Humberto corvo, comprou a sua primeira bicicleta. “Era usada. Uma Beta com o quadro cromado, era uma excelente máquina. Custou 1.200 escudos, uma fortuna”, recorda.

Ingressou no Louletano, mas o médico dizia que tinha as batidas cardíacas muito baixas e não o queriam deixar competir. “Um dia fui ao Dr.Barreiros Magalhães (pai), o médico da Volta e depois de uma rigorosa inspeção disse aos diretores: deem-lhe é de comer, o mal é fome. O moço é uma máquina”, lembra.

Terminada a tropa em Lagos, Manuel Caetanita regressa a Almodôvar e aí começa a aventura com a criação de uma equipa na terra. Primeiro a Casa do Povo e depois o Clube Desportivo. Trabalhava e treinava manhã cedo. “No inverno o frio e a geada matavam um homem. Impermeáveis? Nem se ouvia falar disso”, atira. Em 1976, fez a etapa mais longo da carreira. “Saímos de Beja, com 40 e muitos graus, em direção a Envendos, foram 237 quilómetros. Ganhou o Fernando Mendes”, recorda.

Em 1977 cai na Volta a Portugal e abandona, a lesão nunca soube qual foi, mas uma “moinha” ficou dentro dele. “O ano passado caí e fraturei a bacia. 40 anos depois descobri a lesão da volta”, remata.

Na primeira das três voltas que fez, foram 20 dias de estágio e outros tantos de corrida “ganhei dois contos de réis. Era a paixão que nos arrastava”. Em Almodôvar há na atualidade dois corredores profissionais, Daniel Mestre e Henrique Casimiro, mas o sei ídolo é o britânico Chris Froome: “corrida sem Froome não é a mesma coisa”, justifica.

“Nas corridas muitos dos jovens já me chamam avô, mas, também reconhecem que ainda estou duro”, atira a rir Manuel Caetanita.

Teixeira Correia

(jornalista)

Share This Post On