Aljustrel: Descarga elétrica de 6 mil volts, deixa mineiro em estado grave.

Um trabalhador das minas de Aljustrel, ficou gravemente ferido e foi transportado de helicóptero para a Unidade de Queimados do Hospital de São José, em Lisboa, depois de ter sido eletrocutado, tendo recebido uma descarga elétrica de 6 mil volts.

O acidente ocorreu ao final da tarde de segunda-feira e foi o quarto que aconteceu este ano no Complexo Mineiro da Almina, de que resultaram dois mortos e três feridos graves.

O Sindicato dos Trabalhadores da Industria Mineira (STIM) pediu ontem (terça-feira), com o caráter de urgente, reuniões com os Ministros do Trabalho e da Economia, para “expor a constante falta de condições de segurança na mina. Propusemos a realização do encontro no próximo 12 de julho”, revelou Jacinto Anacleto, dirigente sindical.

Segundo apurou o Lidador Notícias (LN) junto de uma fonte que trabalha na empresa “a vítima fazia trabalhos de manutenção na Lavaria e por motivos que ainda se desconhecem a corrente elétrica não terá sido desligada”, acrescentando o nosso interlocutor que “a corrente elétrica entrou-lhe pelos dedos da mão e provocou-lhe um buraco nos membros inferiores”, concluiu.

O alerta do acidente chegou ao conhecimento do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Beja às 19,30 horas, mas todos os meios operacionais foram mobilizados pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM). Colocada a questão ao INEm sobre a razão de ter sido o CODU a orientar o socorro foi dito que “precisamente porque é a missão dos CODU, coordenar o acionamento dos meios de socorro”, justificaram.

Fonte do CDOS de Beja disse ao LN que “foi solicitada ativação de uma ambulância dos bombeiros de Aljustrel para fornecer as coordenadas do campo de futebol para o helicóptero aterrar”, concluiu. Acontece que em 11 de fevereiro, na sequência de um acidente no interior da mina, do qual resultou um morto e um ferido grave, um meio aéreo do INEM já tinha aterrado naquele campo de futebol.

Questionado o INEM como explicava o pedido de novas coordenadas do campo de futebol se há 5 meses aterrou uma aeronave do Instituto, este não deu qualquer explicação, justificando que “o INEM não tem decisão sobre locais para aterragem das aeronaves, sendo esta uma informação gerida pela empresa que opera os meios aéreos do INEM”, concluiram.

Na última semana de junho, houve um acidente na jazida (exploração mineira de Fetais, com uma máquina carregadora, que ficou totalmente destruída, que não teve consequências fatias para o manobrador, uma fez que era operada por controlo remoto. No mesmo mês, registaram-se também dois incêndios. Em todos os casos, nem o CDOS ou os bombeiros tiveram conhecimento, tendo os serviços internos de segurança e socorro dominado a situação.

“As condições de segurança são zero. Somos os representantes legítimos dos trabalhadores, mas estamos provindos de na empresa. Aquilo é uma ditadura”, sustentou Jacinto Anacleto, do STIM, que recordou a última greve, em novembro de 2017 “tinha como únicos objetivos garantir a saúde e segurança dos trabalhadores. Não estavam em causa aumentos salariais”, sustentou.

O dirigente do STIM considera que “o Presidente da República tem tratado os mineiros, como trabalhadores de segunda. Será preciso ocorrem cinco ou seis mortes para termos a atenção do nosso presidente ?”, questionou Jacinto Anacleto.

Na página da Proteção Civil (Provic) estavam descritos os meios que foram deslocados para o local do acidente, 12 operacionais, quatro viaturas e um helicóptero, mas não foi possível junto do CDOS de Beja, apurar a sua origem.

Posteriormente nas questões colocadas, o INEM esclareceu que “na vertente de emergência médica, o INEM acionou o Helicóptero de Emergência Médica de Évora, VMER Beja e SIV Castro Verde”.

Teixeira Correia

(jornalista)

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